Estradas ruins acenando para outras opções de transporte
Vive-se no Brasil a euforia da busca de combustíveis alternativos, mas nada está se fazendo para melhoria dos demais sistemas de transporte, mais baratos e mais seguros. Dentre eles o ferroviário, largamente adotado hoje no mundo mas sucateado no Brasil e por isso motivando constantes descarrilamentos. Noticiário de ontem deste Jornal mostra o perigoso estado de rodovias paranaenses, com problemas de tráfego por desníveis na pista, ausência de acostamento, precariedade na drenagem, não-resistência do asfalto para caminhões de grande tonelagem, sinalização deficiente e tudo o mais que os motoristas estão cansados de saber.
O perigo dos acidentes é constante, e os milhares que acontecem geram um custo social alto pelo grande número de vítimas humanas fatais, de pessoas que resultam paraplégicas, feridas ou traumatizadas. Tudo por culpa do Estado negligente, que recolhe valores astronômicos pela via do veículo automotor mas não os repassa para o fim a que se destinam. Fazer vistoria nas rodovias, como agora ocorre, é uma providência necessária mas não depois que as estradas ficam intransitáveis. Esses levantamentos têm de ser preventivos, portanto feitos antes que o caos se instale.
É uma inominável falta de responsabilidade os órgãos pertinentes do governo não saberem que as estradas se desgastam pelo uso, que acostamentos se deterioram se não forem conservados periodicamente, que o matagal cresce e encobre a sinalização, que os dutos de drenagem entopem, que pontes e pontilhões sofrem a fadiga do tempo. Coisas elementares no rol de obrigações da engenharia de tráfego, mas que sempre têm de chegar ao ponto de exaustão para serem notadas. Geralmente são os veículos de comunicação, pela constatação localizada e pelo depoimento de motoristas, que alertam os técnicos. A conservação, que deveria ser um processo natural, tem de aguardar o aviso de meios externos.
Este é um dos problemas. O outro é a ausência de projetos para alternância de sistemas de transporte - de passageiros e de mercadorias - para desafogar o tráfego rodoviário, que queima pneus e muito combustível poluente, desgasta frotas (de custo elevado), oferece grandes riscos (inclusive de assalto e roubo de veículos e cargas) e engorda as concessionárias do pedágio, reduzindo lucros dos transportador. O sistema ferroviário, muito utilizado no passado, roda sobre bitola estreita e passou a ser coisa quase lendária no Brasil, enquanto foi se expandindo no mundo. Nos Estados Unidos, inclusive o transporte aéreo intensivo de mercadorias passou a ser uma vantajosa opção, havendo gigantescos terminais de cargas em muitos pontos do país. No Brasil pensa-se novas fontes energéticas mas nada se planeja sobre algo fundamentalmente importante que é a opção por sistemas melhores e mais econômicos de transporte.





