Em dois meses que restam do atual governo estadual, pouco se espera que faça para melhoria das estradas, que estão em estado de calamidade, como mostrou reportagem de ontem deste jornal. É ao novo governo que incumbe inteirar-se do que ocorre, e a realidade não é agradável aos olhos dos que vêem a buraqueira estampada nas fotografias e muito menos para quem trafega por esses caminhos. Pouco se alterou desde um levantamento anterior, feito há quatro meses pela Folha, com melhoria em alguns trechos e piora em outros.
A alegação da falta de recursos financeiros é uma justificativa sem consistência, porque o governo tem arrecadação que possibilita manter as estradas em relativa conservação e segurança. Se o Paraná, por ser um Estado desenvolvido, tem intenso tráfego nas estradas, sobretudo em face de sua atividade agrícola e industrial e da exigência de escoamento dessa produção, também oferece a contrapartida da receita tributária, e tem haveres junto ao governo federal. O Paraná já pôde ufanar-se de possuir rodovias bem cuidadas, em tempos em que não existia pedágio e os recursos saíam da própria tributação do sistema rodoviário.
À população produtora o governo impôs o pedágio, uma arbitrária bitributação para aliviar encargos que são seus e que não fez mais pela melhoria das rodovias do que faria a natural receita do governo oriunda do setor rodoviário e dos encargos que recaem sobre o uso do veículo automotor. Com o agravante de essa sangria haver retirado gorda faixa de lucro do caminhoneiro e atingido duramente os usuários de veículos em geral, afora haver empobrecido toda a atividade paralela das margens das rodovias como restaurante e serviços eis que era da relativa folga dos motoristas que elas se mantinham. O que a reportagem mostra agora, mais uma vez, é que o governo que irá assumir em janeiro já tem uma tarefa urgente a realizar, e esta é recuperar as estradas.
Walmor Macarini

mockup