Estradas em estado de abandono
A pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que aponta que 60% da malha rodoviária do Paraná estão mal conservadas, não chega a surpreender. Sem grandes investimentos realizados pelos governos federal e estadual nos últimos anos, é fácil constatar a degradação do asfalto. Reportagem da FOLHA publicada no último dia 23, inclusive, revelou que somente 17% das rodovias são pavimentadas. Uma realidade que precisa ser modificada urgentemente.
O levantamento da CNT considerou apenas trechos pavimentados. No entanto, o cruzamento dos dois números (da CNT e do Departamento de Estradas de Rodagem) revela que a infraestrutura rodoviária do Paraná é extremamente precária. São poucas as estradas pavimentadas - e as que têm asfalto ainda são mal conservadas. Muito ruim para um dos Estados com maior Produto Interno Bruto do País e que tem que escoar uma enorme produção agropecuária.
Conforme pesquisa da CNT, apenas 39,9% das rodovias estão boas ou em ótimo estado. Nos trechos concessionados - ou pedagiados - o cenário é diferente: 84,3% estão em boas ou ótimas condições e 15,7% estão regular, ruim ou em péssimo estado. Com o alto preço das tarifas praticado pelas concessionárias no Estado (cujo índice de reajuste anual consta em contrato) era de se esperar que o percentual de estradas em boas ou ótimas condições fosse maior.
No ranking nacional, o Paraná tem a 7 pior ligação do País, entre as cidades de Cascavel e Barracão (Região Oeste), mas não tem nenhuma rodovia entre as dez melhores do ranking. Na média geral nacional, os índices são um pouco melhores do que os estaduais - 57,4% da extensão rodoviária pesquisada são consideradas regular, ruim ou péssima, enquanto 42,6% estão boas ou ótimas - o que corrobora a afirmação de que o Estado tem infraestrutura deficitária.
Os números mostram que é preciso um planejamento urgente - e investimentos - para melhorar as condições de tráfego das rodovias. A sociedade também precisa ser mais incisiva nas cobranças porque só a manifestação popular, aliada à vontade política, é que poderá mudar este cenário. Do contrário, continuaremos perdendo vidas nas estradas e arcando com prejuízos. No ano passado, foram quase 2 mil mortes nas rodovias estaduais.





