Estradas desbloqueadas
A greve dos caminhoneiros, suspensa na noite de terça-feira, começou de maneira branda na semana passada, mas atingiu proporções graves nos últimos dias. O cenário que se formou, com estradas bloqueadas, transtornos para as pessoas que viajavam, risco de desabastecimento e preço dos produtos disparando nos supermercados, levou o Ministério dos Transportes a ceder às pressões: o governo federal prometeu analisar, nos próximos 30 dias, as principais reivindicações da categoria.
A paralisação, de alcance nacional, foi um protesto contra mudanças instituídas pela Lei 12.619, a chamada ''Lei do Caminhoneiro'', que entrou em vigor em junho, regulamentando as atividades dos profissionais autônomos, que formam 60% da frota brasileira. Ela altera a jornada de trabalho, obrigando os motoristas a fazerem mais intervalos e a ficarem menos tempo na direção. Pela nova lei, a escala foi limitada a 10 horas para os contratados e a 12 horas para os autônomos. A cada quatro horas trabalhadas, o motorista deverá fazer um intervalo de 30 minutos e também um repouso ininterrupto de 11 horas a cada 24 horas. A mudança desagradou parte dos profissionais, que reclama da falta de infraestrutura nas estradas para cumprirem os períodos de descanso. Outro ponto que desagradou a categoria foi o fim da carta-frete informal.
O ministro dos Transportes, Paulo Sergio Passos, garantiu que a partir da semana que vem será formada uma comissão para discutir as reivindicações. Por enquanto, o governo se comprometeu a não multar os motoristas que não obedecerem à nova lei e a realizar apenas ações educativas. Mas independente das negociações, lideranças falam de um reajuste de 20% no valor do frete - mais uma conta para o consumidor pagar e que virá embutido nos preços dos alimentos e muitos outros produtos transportados pelas estradas rodoviárias.
A paralisação foi suspensa no momento em que o movimento começava a assumir postura violenta, com piquetes, agressões físicas e danos nos veículos de motoristas contrários ao movimento, prejuízo à população quanto ao direito de ir e vir, desabastecimento, entre muitos outros transtornos. Apesar dos protestos, a nova legislação tem uma proposta interessante que precisa ser discutida com seriedade, pois tem o objetivo de abrandar a pesada carga horário do caminhoneiro - provavelmente um dos principais motivos para o grande número de acidentes com mortes envolvendo caminhões.





