Estrada péssima e abusos com veículos
Ontem o noticiário deste Jornal foi pródigo em informações sobre o uso abusivo de veículos automotores e o descaso do poder público com a conservação de estrada e com a sinalização. Os repórteres Luciano Augusto e Evandro Monteiro revelaram a precariedade que encontraram em trechos dos 340 quilômetros da PR-092, desde Curitiba até a divisa com o oeste paulista. Há pontos em que o asfalto foi corroído, e pior: o Departamento de Estradas de Rodagem informa que não tem plano de fazer as melhorias. Enquanto isso veículos pesados se arrebentam no caminho.
Em tempo de chuva aumentam os buracos, fazendo lembrar os primórdios da colonização. A reportagem constatou o que nenhuma autoridade pode contestar: a situação de abandono. Há pontos que ficam intransitáveis para os veículos escolares e, por isso, quando chove as escolas ficam vazias. A impressão é que se vive em sertão bravio, porque até as campanhas de vacinação de crianças e adultos ficam difíceis pela precariedade de locomoção em certas épocas, conforme o testemunho do guarda florestal Alceu Ferreira que nasceu e se criou na região compreendida entre Jaguariaíva e Doutor Ulysses. Cruzes à margem da estrada indicam que ali houve morte por acidente de veículo ou atropelamento.
Outra reportagem fala dos rachas com motos e automóveis, uma prática criminosa se ocorre nas ruas e estradas e que parece desafiar o policiamento. Porque já existe até uma espécie de clube de sócios cadastrados, com difusão na internet de filmagens das disputas. Isto está ocorrendo em todo o Paraná, demonstrando que os organismos de segurança pouco fazem para segurar essa onda, que não é nova. Para tudo o contribuinte paga pesados impostos, incidentes sobre o veículo, os combustíveis, o direito de trafegar, mas a destinação do dinheiro parece reverter pouco para a conservação das estradas e para o combate aos abusos que - sobretudo jovens - cometem com seus rachas.
Em Londrina, a repórter Marta Ortega mostra que a Estrada dos Pioneiros continua perigosa, com sinalização escassa e fraca iluminação à noite. Os veículos transitam em alta velocidade, com pouca ou nenhuma fiscalização. O progresso avançou nessa região, mas o poder público não o acompanhou na melhoria do tão antigo acesso que serviu de portal de entrada dos colonizadores. A boa notícia é que há um projeto em andamento para melhoria desse trecho e espera-se que não fique apenas na intenção. No geral, os relatos dessas reportagens mostram situações de degradação de serviços públicos no setor e de desvios de comportamento, caso da excessiva velocidade e dos rachas.





