ESTRADA FECHADA Pedágio gera protesto de agricultores
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sábado, 11 de janeiro de 2003
Renê Muller<BR>Reportagem Local 
Um protesto com a participação de cerca de 300 agricultores ligados à Comissão Regional de Atingidos por Barragens do Rio Iguaçu (Crabi) e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destruiu pelo menos uma cancela do pedágio localizado no quilômetro 569 da BR-277, a Rodovia das Cataratas, em Cascavel (Oeste do Paraná). Entre 11 horas e 14 horas, a cancela permaneceu aberta pelos manifestantes, permitindo a passagem de veículos sem o pagamento do pedágio.
A manifestação foi motivada pelo fechamento da estrada de Salto João, uma antiga via de cascalho que era utilizada pelos moradores assentados da Crabi no Distrito de São João. Eles estão distribuidos em 700 famílias, espalhadas por 18,8 mil hectares do local em 10 reassentamentos. São na maior parte pequenos produtores rurais. ''A estrada já estava aberta há mais de 50 anos e era utilizada para a locomoção dos reassentados até o Centro de Cascavel e o posto de saúde mais próximo'', disse José Uliano Camilo, presidente da Crabi. Ele acrescentou que sem a estrada alternativa, as viagens até esses locais custavam, por veículo pequeno, R$ 4,70 de pedágio, valor que seria alto demais para os agricultores da Crabi.
O fechamento da antiga estrada de terra, ocorrido no dia 30 de dezembro, foi motivo de protestos e de pressão tanto da Crabi como do MST. Ontem, os manifestantes conseguiram um trator e trataram de fechar uma vala de quatro metros de largura por três de profundidade, feita pela Concessionária Rodovia das Cataratas S.A., responsável pelo lote 3 da BR-277.
A concessionária alegou, através de sua assessoria de imprensa, que o fechamento foi permitido pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e ocorreu porque o contrato de concessão não permite desvios. A estrada também começaria em uma curva, de má visibilidade, trazendo perigo aos motoristas da rodovia. Também informou que cobrará judicialmente dos líderes do movimento os prejuízos causados pela liberação da rodovia, através de multa à Crabi e ao MST, como entidades jurídicas, e multa pessoal ao seus diretores. Segunda a empresa, teriam sido quebradas três cancelas e duas máquinas fotográficas na manifestação. Em 10 dias, um novo encontro entre concessionária e entidades vai discutir a reabertura definitiva da estrada.


