Os habitantes das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, que lutam pela manutenção e adaptação da Estrada do Colono encontraram no ministro Rafael Greca o seu mais graduado aliado. E só. Não se tem notícia de envolvimento para valer de outras autoridades que poderiam influir perante o governo federal no sentido de que se permita o tráfego em 18 quilômetros de muita importância e que ligam os municípios de Serranópolis e Capanema, poupando uma volta por dezenas de outros tantos quilômetros para se atingir o mesmo ponto.
A estrada é importante para a região, como destacam deputados representantes da área e prefeitos dos diversos municípios que abrigam uma população interessada em manter a rodovia que encurta o caminho do Oeste e do Sudoeste.
A ameaça da Unesco em retirar o Parque Nacional do Iguaçu da sua condição de Patrimônio da Humanidade, goste-se ou não, deve ser encarada com seriedade, embora sem submissão. Então, há que se estudar fórmulas capazes de evitar que tal fato venha a acontecer. E seria oportuna a interferência urgente do governo paranaense nesse sentido.
Já foi muito bem lembrado em diversas ocasiões a existência de estradas que cortam parques tanto na Europa como nos Estados Unidos. Há uma série de medidas possíveis de serem tomadas, que técnicos, ecologistas, autoridades, poderiam unir-se em torno de um objetivo que atenda tanto às necessidades econômicas e sociais da manutenção da rodovia, com os cuidados essenciais à proteção ambiental, preservando-se a fauna e a flora.
A luta dos ecologistas, a parte da demora na decisão definitiva e à omissão de autoridades capazes de mediar e influir na condução do problema, poderá reverter para uma fórmula capaz de atender todos os interesses, considerando-se a honestidade em que se apegam os que são contrários ou favoráveis à permanência da rodovia como integrante do Parque do Iguaçu.
Ao que se saiba, os moradores da região já estão conscientizados de que há necessidade de uma série de providências para que a estrada possa permanecer aberta. Conscientizados pela penalização de 14 anos de fechamento. Há evidente necessidade também de um permanente processo de educação de forma a que a atual população e as que se formarem ao seu redor, transformem-se em verdadeiros fiscais para a sua integração sem qualquer tipo de agressão ao ambiente.
Medidas possíveis seriam a proibição do tráfego de caminhões, horários permissíveis de circulação, e outras que os próprios ambientalistas poderiam sugerir com base no conhecimento que devem ter do funcionamento de estradas como tal em outros países.
Os melhoramentos feitos pelos governos federal e estadual, aos quais se juntariam os próprios municípios, levariam a construção definitiva de uma estrada que proporcionaria mais fluxo turístico ao Estado, um exemplo a mais para resolver as pendências nesse campo. Há por finalizar-se um plano de manejo do parque, sendo possível que até lá (um lá muito breve) se encontre a solução para o problema.
O certo é que a omissão não levará a nada. Ao contrário, só estimulará, como tem ocorrido, à radicalização de ambas as partes. Não se diga que as partes estão equivocadas, simplesmente. Sentar-se à mesa, com projetos definidos embasados em estudos técnicos, seria a prestação de um serviço inestimável às populações do Oeste e do Sudoeste, os interesses do Estado, à preservação do meio ambiente e a justiça que se faria à luta dos ambientalistas.
- AYRTON BAPTISTA é jornalista em Curitiba

mockup