Estrada do Colono
O que Manoel Oliveira da Silva (Londrina) e Elaine Cristina Teixeira Pinto (Curitiba) escreveram neste espaço sobre a Estrada do Colono, na edição do dia 24 de junho, foi de uma ignorância perfeita. Aliás eles, como ambientalistas que se dizem, deveriam se preocupar mais com o Lago Igapó, no caso do Manoel e do Rio Iguaçu, no caso da Elaine, transformados em lixões.
Embora o Parque Nacional do Iguaçu (PNI) tenha sido declarado Partimônio da Humanidade, ele é antes patrimônio do Brasil e, dentro do Brasil, do Paraná, e especialmente dos moradores do Oeste e Sudoeste do Estado, que são os que realmente cuidam do parque, a despeito da estrada. No ano passado, dos milhares de focos de incêndio, inclusive nas propriedades ribeirinhas, não ocorreu nenhum na área do parque por exclusivo mérito dos cuidados dispensados pelos proprietários.
Existe lei que garante que, ao ser fechada uma estrada em uso, seja oferecida outra opção. A Estrada do Colono é a BR-163 (PR-495 por concessão), que atravessa quase todo o País de Sul a Norte e que foi considerada de segurança nacional. Agora fica truncada no PNI.
Existem opções para se chegar a Serranópolis do Iguaçu: de Capanema para Capitão Leônidas Marques-Santa Tereza do Oeste, com acréscimo de 120 km; pelo Rio Iguaçu por barca até as Cataratas-Foz do Iguaçu; e pela Argentina, passando pela estrada de 40 km que corta o PNI de lá menos de 1/3 do tamanho do nosso e também declarado Partimônio da Humanidade. Lá pode e aqui não! Incrível isso!
Quanto ao fechamento da Estrada do Colono, em 13 de junho, gostaria que os ambientalistas dessem uma olhada nos princípios 1, 3, 4, 10,11 e 26 da Agenda 21 Global, preconizada na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada nos dias 13 e 14 de junho de 1992, mais conhecida como EcoRio-92.
No meu entender, tanto a juíza Tessler do TRJ de Porto Alegre, como os ministérios do Meio Ambiente (Ibama), da Justiça (Polícia Federal) e do Exércido (soldados) atropelaram o STF ao determinarem e executarem a destruição da Estrada do Colono como se tivesse sido julgado o mérito da questão.
Outro detalhe: este jornal divulgou, numa de suas edições deste ano, que na Estrada das Cataratas, na época da veiculação, eram mortos, em média, 60 animais por mês pelos carros que por ela trafegavam. Segundo levantamento similar realizado na Estrada do Colono na mesma época, esta média baixava para 20 animais, incluindo minhocas, besouros, borboletas, cobras e lagartos.
Com uma observação amadora da Estrada do Colono pela manhã ela ficava fechada das 18h30 às 6h30 podia-se ver muitas pegadas de animais e defecações, sinais de que, à noite, a estrada era toda dos animais, derrubando por terra o argumento de que a estrada não permitia o acesso dos animais de um lado para o outro.
O argumento utilizado por Manoel de que uma hora e meia a mais de duração de viagem pela estrada por Santa Tereza do Oeste não faz muita diferença, é ignorante pois, para quem utilizava a Estrada do Colono todos os dias, ida e volta, faz muita diferença sim, tanto que, empresas de Capanema com filiais em cidades do Oeste e vice-versa estão com dificuldades em manter-se na ativa. Para quem precisa da estrada como turista...
Existem opções de utilização da Estrada do Colono sem agredir o meio ambiente: por túnel, inclusive aprovado pelo Departamento de Meio Ambiente da Unesco e pela Universidade de Sorbonne (França) ou por pista elevada (viaduto) ou por uma estrada ecológica. Aliás, a Estrada do Colono, como vinha sendo utilizada, faltava muito pouco para ser uma estrada ecológicamente viável.
Com o fechamento da Estada do Colono, liberaram o mato para os animais mas cortaram as relações humanas, familiares, profissionais e sociais de duas importantes regiões do Paraná, que vêm produzindo alimentos para esses famintos todos.
Nas decisões, esqueceram de nós. E será difícil, agora, conseguir adesões para a continuidade de proteção do Parque pelas populações contíguas.
- ADROALDO BOMBARDELLI é jornalista em Medianeira





