Estrada de ferro deve atingir 186 propriedades de poloneses
Situação parecida com a dos atingidos pelas barragens estão vivendo as cerca de 1,5 mil pessoas que vivem nos municípios de Almirante Tamandaré, Araucária, Campo Largo e Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. As propriedades ficam no percurso onde será instalada a nova estrada de ferro, chamada de Contorno Ferroviário.
O novo traçado atingirá 186 propriedades, a maioria na área rural, e irá substituir a linha férrea que corta a área urbana de Curitiba. Os trilhos estão sendo retirada para atender um antigo anseio de moradores de 12 bairros da Capital, cansados do barulho e dos acidentes com trens.
Uma das comunidades que está bem no meio do caminho do trem é a Colônia Dom Pedro II. São cerca de 200 famílias de origem polonesa, que conservam não apenas a cultura e as tradições de seus antepassados, mas também o modo de vida das 20 famílias de imigrantes que se fixaram ali em 1876 e deram origem à comunidade. Uma de suas preocupações é a preservação do patrimônio cultural existente.
Mas os principais questionamentos são sobre a possibilidade de continuarem morando no mesmo local, sobre o acesso a suas propriedades e como serão calculadas as indenizações. Eles também demonstraram preocupação em relação ao barulho, vandalismo e violência que possam chegar a essas regiões, hoje bastante tranquilas. Temem ainda que a ferrovia interfira na circulação do gado, no escoamento dos riachos e na produtividade das terras. Outra preocupação é que a passagem dos trens cause rachaduras nas casas, como reflexo da trepidação.
Os moradores da colônia criaram uma comissão para se mobilizar contra a construção da ferrovia e fizeram um abaixo-assinado entregue no Palácio Iguaçu e Assembléia Legislativa. A mobilização deu certo. O governador Jaime Lerner teria pedido pessoalmente para que a Coordenadoria da Região Metropolitana (Comec) analise os pontos questionados pelos moradores da colônia, nas audiências públicas a serem realizadas. (M.G.)





