José Antônio da Silva, construtor aposentado, 72 anos, começou a sentir dores no peito e no braço há cerca de 4 anos. Elas vinham e passavam. No começo deste mês de maio, no entanto, sentiu ‘‘uma dor espremida, enjoada, que dava a impressão de que iria piorar ainda mais. Pensei que fosse morrer.’’ Rapidamente, foi levado pelos familiares ao Posto de Saúde de Rolândia, onde reside. Lá chegando, desmaiou, e só foi acordar no Hospital João de Freitas, em Arapongas. Lembra-se de que a primeira pessoa que viu foi seu cardiologista, Fabrício Bussador, fisionomia contraída.
Seu estado, agravado por uma pneumonia, era de fato preocupante. O que fazer? O cardiologista apresentou-lhe as alternativas disponíveis, incluindo a novidade da angioplastia com implante de ‘‘cypher’’. Depois de conversar muito com seus familiares, José decidiu pelo novo tipo de ‘‘stent’’. Enquanto aguardava, diziam, para animá-lo: ‘‘o melhor que existe está vindo a풒.
No dia 15 de maio, muito nervoso, até por saber que somente ele e mais duas pessoas, em todo o Brasil, estavam estreando o novo tratamento, enfrentou a intervenção. Acompanhando todo o procedimento pelo visor, pois a anestesia é local, viu a pequena incisão ser feita na virilha e um cateter ir levando o ‘‘cypher’’ a um passeio por suas veias. A princípio, não sentiu nada. À medida que a malha metálica de dimensões milimétricas ia chegando perto da lesão, foi tendo dor, intensificada pelo nervosismo. Acabaram lhe dando um sedativo.
Ao acordar, porém, ‘‘parecia outra vida, outro mundo’’, entusiasma-se. E na recuperação, mais motivo para alegria: em dois dias, já estava em casa. Muito diferente da história de seu irmão, lembra-se, que também enfrentou problemas coronários e recorreu à cirurgia cárdio-vascular (ponte de safena). ‘‘Ele sofreu demais’’, comenta José, ‘‘tendo de passar, na fase pós-operatória, pela UTI, por muitos dias de hospitalização e por uma lenta recuperação em casa’’.
O único senão do novo tratamento é, por enquanto, o custo, por volta de R$ 9 mil, sem contar anestesia e internação. A despesa pegou José desprevenido. ‘‘Foi preciso tirar dinheiro daqui e dali, mas valeu a pena.’’ O médico Douglas Grion, um dos integrantes da equipe responsável pela intervenção em José, acredita que os melhores convênios não vão ter como não oferecer, a curto prazo, esse tratamento aos seus clientes. Quanto ao SUS, o processo costuma ser mais burocrático. O procedimento com ‘‘stent’’, comenta, demorou 6 anos para ser incluído no Sistema Único de Saúde. ‘‘Vamos torcer para que, muito em breve, possa ser feito para todos’’, deseja José, ‘‘porque é bom demais!’’

mockup