Estímulos ao crescimento
Embora o governo federal tenha adotado uma série de medidas para ''blindar'' o Brasil contra a crise econômica da Grécia e da zona do euro, não há como escapar. Certamente, o País será afetado, seja por diferenças de desempenho na balança comercial, pela apreciação do dólar frente ao real ou pelo nervosismo no mercado financeiro. Em um mundo globalizado, não há como ficar totalmente imune. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu nesta semana que a recessão vai afetar o crescimento do país e rebaixou a estimativa para 4,5%, ante os 5% projetados para este ano.
O Brasil é um dos países-membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tidos como ''países em desenvolvimento'') que menos cresce. O desempenho é atribuído a fatores como alta taxa de juros, crédito restrito e infraestrutura deficiente. No entanto, algumas ações tomadas pelo governo federal neste início de ano tiveram como objetivo estimular o consumo interno, como uma medida para amenizar os efeitos da crise. Início do ciclo de redução da Taxa Selic, isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados para eletrodomésticos da chamada linha branca e ampliação do crédito estão entre algumas iniciativas. Resta agora esperar pelos resultados.
A fórmula não é nova. Já foi usada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar a crise econômica de 2008 e deu certo. Naquela ocasião, as medidas foram baseadas principalmente na indústria automotiva e na construção civil. Aliás, este último segmento deve continuar sendo beneficiado por meio do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e pelo Programa de Aceleração do Crescimento. Além disso, o setor cresce neste ano, puxado pelas eleições municipais.
Apesar de estímulos pontuais à economia, é preciso tomar ações que, de fato, preparem o país para o crescimento. A infraestrutura carece de obras urgentes, a taxa de juros tem que efetivamente ser reduzida, além da necessidade da reforma tributária. Esses são problemas que não podem continuar sendo adiados. A ação deve ser imediata.





