As medidas anunciadas ontem pelo Banco Central podem ter pouco efeito sobre a economia. Em entrevista coletiva, ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a iniciativa pretende estimular o crédito e que tem potencial para injetar cerca de R$ 25 bilhões no mercado. No mês passado, já haviam sido retiradas restrições que podem incrementar em R$ 45 bilhões o mercado de crédito.
No entanto, enquanto o governo federal tenta facilitar o acesso ao crédito, em um momento em que os indicadores econômicos estão ruins e a economia entra em "recessão técnica", os bancos não sinalizam que pretendem aumentar empréstimos e financiamentos a pessoas físicas. O motivo é o aumento da inadimplência. No mês passado, por exemplo, a inadimplência cresceu 11% na comparação com julho de 2013 e acumula alta de 0,6% nos primeiros sete meses do ano. Além disso, a concessão de crédito concedida pelos bancos também vem caindo na comparação com o ano passado.
Enquanto há estímulo ao crédito para automaticamente aumentar o consumo e consequentemente a atividade industrial, a inflação está em escalada de alta – perto do teto da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 6,5% ao ano. A teoria é que o estímulo ao consumo faria o contraponto aos juros mantidos em altos patamares.
O que falta sistematicamente são medidas com potencial para estimular mais fortemente a economia. Faltam medidas estruturantes que façam com que o País volte a crescer. Neste quesito parece haver uma inércia no governo. Apesar dos sucessivos indicadores negativos pouca – ou nenhuma – ação é tomada. Com uma recessão às portas, é momento de a sociedade intervir mais fortemente na questão e exigir medidas que provoquem maior impacto na economia. O modelo de expansão baseado no consumo já se mostra esgotado e, por isso, é preciso maior criatividade.

mockup