'Estímulo' à indústria
Mais uma vez o pacote de estímulos à economia, anunciado nesta semana pela presidente Dilma Rousseff (PT), ficou aquém das expectativas dos empresários. O governo federal perdeu mais uma oportunidade de resolver o problema de fato, ao não promover a desejada desoneração fiscal, tributária e trabalhista. Como vem fazendo desde o governo Lula (PT), a preferência recai por medidas pontuais, que até ajudam em um primeiro momento, mas não resolvem. Ao optar por não elevar o grau de competitividade da indústria brasileira no mercado externo, a avaliação é que o Brasil continuará vulnerável frente às grandes crises econômicas.
Lançado com o objetivo de minimizar os efeitos da crise europeia na economia nacional, o pacote batizado de ''PAC Equipamentos'' (em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento), tem por objetivo ampliar, a partir do segundo semestre, o investimento na indústria por meio de compras de veículos como caminhões, implementos agrícolas, retroescavadeiras, motoniveladoras, ônibus, motocicletas, mobiliário escolar, entre diversos outros produtos. Outra medida anunciada é a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6% para 5,5%, utilizada como parâmetro para correção dos empréstimos realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A taxa menor vai atingir empréstimos já contratados.
No entanto, um dos entraves apontados por entidades representativas da indústria é a morosidade das aquisições dos equipamentos. A avaliação é que as compras devem ser agilizadas. Outro ponto é que há o risco de parte das aquisições programadas virar importação, uma vez que a margem de preferência não ficou suficientemente definida. Neste ponto, é possível apontar uma grande falha, uma vez que 100% dos produtos adquiridos deveriam ser de origem nacional, sem qualquer ''margem de preferência'' para importados.
Medidas de estímulo à economia, sem dúvida, são importantes. No entanto, não se pode esquecer o foco das questões. É preciso cobrar iniciativas mais significativas por parte do governo para que, de fato, ocorra o crescimento sustentável.





