Estatísticas e distorções
Pesquisas, estatísticas e indicadores são elaborados com alguns objetivos. Seja simplesmente para obter informações, para ter uma fotografia do cenário ou para nortear políticas públicas e planos de trabalho, esses estudos são relevantes e embasam algumas ações. No entanto, o que fazer quando os números de uma estatística que trata do mesmo tema "não batem"?
Londrina hoje não consegue informar com clareza quantos moradores são considerados pobres (família com renda mensal per capita de até R$ 140). Há pelo menos dois números e bem diferentes. Conforme o Atlas Brasil 2013 (que aponta o índice de desenvolvimento humano dos municípios, usado pelo governo federal), Londrina tem 16.569 pobres, o equivalente a 3,27% da população. Já o Perfil Socioeconômico (elaborado pela prefeitura) indica que são 74.650 pessoas, ou 14,7%. A diferença entre os dois levantamentos é de 58 mil pessoas, quantidade equivalente à população de Rolândia em 2010.
Além da disparidade, os dados mostram que os programas assistencialistas também não têm conseguido atingir a totalidade da população ou, pior, têm beneficiado mais pessoas que deveriam. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, 43.492 londrinenses estão incluídos no Bolsa Família, o principal programa federal de transferência de renda. O grupo representa 8,4% da população em 2012, pouco mais da metade dos pobres publicados no Perfil (cujo índice apontado é 14,7%) ou quase três vezes maior do que a porcentagem apurada pelo Atlas (3,27%).
A partir dessa disparidade é de se supor a dificuldade na elaboração de programas que atinjam toda essa população. Se a realidade não é conhecida, como beneficiar a todos sem distinção? Outro ponto que também deve ser levantado é a credibilidade dessas informações. Como foram apuradas? Qual a sua veracidade? Também pode-se levantar a hipótese de que outras estatísticas usadas também tenham distorções como essas.
No caso do número de pobres em Londrina, o primeiro passo é apurar qual o tamanho real dessa população. Esse trabalho deve ser urgente, até para garantir que a política de assistência social atenda a todos os necessitados ou retire da lista pessoas beneficiadas indevidamente. Além disso, a partir dessas ações é de se esperar uma revisão nas principais estatísticas utilizadas em programas públicos. Se um detalhamento claro não for feito, corre-se o risco de todos esses estudos caírem em descrédito.





