Quando o Brasil chegou marca dos 250 mil mortos por Covid-19, um movimento atingiu a internet e circulou também por veículos de imprensa em um esforço para minimizar a tragédia nacional. "Até os bebês de colo sabem que quando há uma pandemia em escala planetária, o número de mortos costuma ser maior nos países mais populosos", afirmou um dos analistas.

Isso realmente não é uma novidade e parece lógico que em números absolutos, as nações com mais habitantes serão as mais atingidas. Mas qual o sentido de "festejar" que o Brasil não figura entre os países com maior número de vítimas fatais sob a estatística óbitos/milhão de habitantes? Seja em análise proporcional ou estatística, a tragédia é grandiosa.

No final de 2019, quando foram registradas as primeiras ocorrências do Sars-CoV-2, ninguém imaginava a grandeza que a doença iria atingir. Mas ao longo da história, as doenças com alto potencial de contágio causaram muitas mortes em vários países.

Os livros de história dão conta de que no século 14, a Peste Bubônica matou entre 75 milhões e 200 milhões de vítimas na Europa e na Ásia. Antes de ser erradicada do planeta em 1980, graças a uma campanha de vacinação em massa, a varíola assustou o mundo por aproximadamente três mil anos. No século 19 foi a cólera que atravessou fronteiras.

No início do século 20, a Gripe Espanhola pode ter atingido cerca de 30% da população mundial e as estimativas de mortes chegam até 100 milhões. Mais recentemente, o vírus H1N1, causador da gripe suína, provocou a primeira pandemia do século 21. Além da Covid-19, há uma outra pandemia ativa no planeta, a do HIV, vírus que transmite a Aids.

As pandemias fazem parte da história da humanidade e a globalização e as viagens rápidas e fáceis entre os continentes foram a condição para a disseminação rápida do Sars-CoV-2. Os avanços tecnológicos contribuíram para disseminar o vírus no planeta e estão sendo bastante úteis aos cientistas para o desenvolvimento das vacinas, mas sem sucesso ainda para um remédio que signifique tratamento eficaz.

A vacina é a única solução, por enquanto, e nesse caso o Brasil caminha muito devagar, como todos sabemos. E é justamente o lento avanço na imunização que poderá fazer o país ganhar algumas posições no ranking da estatística óbito/milhão de habitantes. A Inglaterra, por exemplo, um dos líderes nesse ranking, está entre os países com taxas de vacinação mais altas e já fala até em abrir eventos esportivos para o público.

Análises negacionistas da Covid-19 não ajudaram e não ajudarão a vencer a pandemia. Solucionar o problema implica em reconhecê-lo na sua totalidade.

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