Estatística mostra realidade das ruas
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de setembro de 2002
Renê Muller<BR>Reportagem Local 
A Zona Oeste de Londrina é a região que lidera as estatísticas de mortes na cidade, contabilizando 34,86% dos casos que receberam o atendimento do Instituto de Criminalística municipal. Na segunda posição, está a Zona Norte, com 21,1% das mortes que acionaram a criminalísitica.
Os números refletem a realidade das ruas, na qual as duas regiões recebem atenção especial pelos altos índices de violência, estimulados sobretudo pelo tráfico de drogas. Pelo menos 25 dos 92 homicídios registrados em Londrina neste ano estão ligados ao narcotráfico.
Estes assassinatos chamam atenção por um detalhe especial: as vítimas são jovens na faixa de 16 a 18 anos e foram mortos por envolvimento no comércio de drogas em território londrinense. Os adolescentes e jovens assassinadis cumpriam a tarefa de ''aviãozinho'', denominação que se dá no meio aos que intermediam pequenas quantidades de drogas do distribuidor para o consumidor dos entorpecentes.
A informação é do diretor-adjunto do Instituto de Criminalística de Londrina, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho. O perito afirma que a execução desses pequenos traficantes é uma característica local do comércio das drogas. Porém, não se repete com frequência em outros centros onde o narcotráfico tem grande penetração. ''A execução dos 'avioezinhos' não é comum em Florianópolis, por exemplo, onde um grande número de assassinatos está ocorrendo por conta da guerra pelo poder do tráfico'', informa Oliveira Filho.
O pequeno traficante, que também costuma ser um consumidor dependente, se tornou a vítima direta dos distribuidores da droga em Londrina porque estaria fazendo grandes dívidas. E também para servir de exemplo aos demais entregadores.
''De cada três que recebe, o aviãozinho consome um. Vai criando uma dívida que torna-se uma bola de neve, e não tem como pagar. É executado para servir de exemplo aos demais'', acredita Geraldo.
Também chama a atenção no levantamento a violência registrada em outras regiões do município. A Zona Sul teve até agora 19 casos de morte atendidas pela criminalística, que refletem em 17,43% do total.
O diretor-adjunto diz que as razões da violência registrada pela polícia científica ainda não foram analisadas com maior profundidade, mas já se pode perceber certas sutilezas. ''Há diferenças entre a criminalidade da Zona Norte e da Zona Sul'', ressalta Oliveira Filho. ''Como é uma área que vem sendo povoada mais recentemente, apresenta tensões por disputa de terras, por exemplo.''


