De estarrecer é a hipocrisia do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná ao afirmar que em 34 anos de tribunal nunca viu nada igual à roubalheira na Prefeitura de Maringá e se manifestou estarrecido – conforme declarou à Folha. Repartir a culpa com a Câmara de Vereadores de Maringá não justifica e não explica nada.
Não há o que estranhar num tribunal de Contas que tem a maioria dos seus membros nomeados por aqueles a quem vão fiscalizar. O que se pode esperar do bode nomeado para cuidar do paiol? Não dá também para repartir a culpa com os vereadores, pois quem não sabe que a grande maioria deles é formada por ‘‘paus mandados’’ dos prefeitos e defendem os próprios interesses? E nos outros municípios do Paraná as coisas serão diferentes?
Se o tribunais de Contas dos municípios, Estados e da União decidirem fazer uma devassa nas contas, nas suas respectivas áreas de atuação, nos últimos 50 anos, com certeza nós vamos entender as causas da concentração de riqueza, do analfabetismo e da ignorância do povo, e da inoperância do órgãos públicos. Antes, sugiro aos governantes de plantão que libertem os ladrões de galinhas, construam mais presídios e façam uma reforma dos existentes para evitar a superlotação e para que venham a ter um pouco de conforto.
A verdade é que os homens que vêm governando a coisa pública neste País (eleitos, nomeados ou concursados), têm por tradição acreditar que, a partir do momento exato que tomam posse dos cargos, eles podem fazer tudo. Claro que em benefício próprio e da corja de espertos que os auxiliam a apagar os rastros do butim. Mas a certeza da impunidade é tanta que as pilhagens são feitas grosseiramente.
Os desvios da grana pública não são tão bem feitos que não possam ser detectados. Só não são detectadas porque os poderosos do Judiciário, Legislativo e Executivo, evidentemente, não têm nenhum interesse na detecção ou porque todos estão envolvidos.
Mas justiça seja feita: os promotores e juízes mais novos vêm prestando um grande serviço para a Nação, e eles podem ter certeza que os brasileiros enxergam isto e lhes são muito gratos. Quanto aos mais velhos... Que decepção! Por que tanto medo das CPIs do Banestado, do pedágio, dos Jogos Mundiais (contra) da Natureza e da Renault? O Tribunal de Contas do Estado não pode dar uma olhadinha nessas caixas pretas? Seria muito interessante que um dos pupilos do governador, recentemente nomeado para o TC, além da atenção para as fraudes das associações de pais e mestres, voltasse sua atenção para as caixas pretas mencionadas.
Sugiro à Folha que abra uma coluna na página policial e mantenha uma nota permanente sobre homens públicos tão notáveis como Paolicchi, Gianoto, Belinati, Jocelito, Lalau, Estevão, Eduardo Jorge, Pitta, Maluf, Chico Lopes e tantos outros, para que não nos esqueçamos que falta muito para o Brasil ser passado a limpo. Peço que este jornal mantenha em minúsculo o que deveria ser escrito em maiúsculo, a exemplo de ‘‘tribunal de contas do estado.’’
- UESLEI TEODORO, Maringá

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