Estão faltando vendedores no mercado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
O comércio varejista está com dificuldade em encontrar mão-de-obra qualificada para atender às demandas de fim de ano. Com isso, muitos lojistas estão investindo em cursos de aperfeiçoamento e capacitação para preparar seus funcionários.
Foi o que fez Simone Zelaquett, dona de uma loja em Curitiba. Ela pagou por um curso promovido pela Fashion Room Paraná para seus vendedores. Segundo Simone, a falta de profissionais foi um dos principais problemas enfrentados pelo comércio este ano. O motivo seria a ausência de comprometimento dos funcionários com o trabalho em lojas.
Na opinião dela, muitos buscam apenas um ''bico'' de fim de ano para custear as próprias férias, com isso, não adquirem experiência e retornam à cadeia do emprego desqualificados.
''Eles acham que vendedor é uma pessoa malsucedida em outras áreas. De um modo geral essa juventude não está focada em ganhar dinheiro'', avalia Zelaquett.
De acordo com o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Élcio Ribeiro, a expectativa é que em Curitiba e região sejam contratadas 10 mil pessoas para trabalho temporário esse ano.
As lojas de menor porte que recorrem a contratos temporários nesse período estão encontrando dificuldades. ''O temporário é caro pelo que ele não faz'', avalia Ribeiro ao referir-se ao investimento que muitos comerciantes terão que fazer em capacitação para conseguir o desempenho necessário. Para ele, esse é um ano atípico nesse sentido.
Mas Ribeiro avalia que, mesmo as grandes empresas, que utilizam serviços de Recursos Humanos para recrutar profissionais e começaram esse processo com meses de antecedência, a tempo de promover treinamentos, também não estão conseguindo completar seus quadros.
Na opinião da gerente da loja Osmoze do shopping Mueller, em Curitiba, Juliana Maknea, ultimamente está difícil encontrar um vendedor que conheça o material da loja. ''Precisa gostar de moda, ser comunicativo, conhecer nossos produtos'', avalia.
Atualmente a loja conta com sete vendedores, o mais velho está lá há apenas nove meses, o que indica uma grande rotatividade na função. O problema não seria o salário, que, segundo a gerente, gira em torno de R$ 1.000,00. ''É que geralmente quem chega não pensa em seguir carreira de vendedor'', lamenta.


