O modelo de sociedade que deseja o povo brasileiro é golpeado de modo persistente pela inoperância de seus representantes. Uma vez no poder, sobrevivem de conspirações contra os interesses daqueles que os elegeram.
O povo francês cansado de aturar um regime de privilégios e abusos promoveu a queda da Bastilha em 14 de julho de 1789. Duzentos e doze anos depois a realidade brasileira se confunde com a história da França. Aqui o povo vai vergando sob o peso dos impostos que não param de subir. A carga tributária já representa mais de um terço de toda a produção e o leão não pára de rugir.
Durante os 175 anos a assembléia que representava a nação francesa não foi convocada. Aqui há mais de 100 anos o Congresso Nacional não interage na defesa dos interesses do seu povo. Na França, pelo menos e com alguma frequência, o parlamento entrava em conflito com o soberano. Aqui não se nota objeções do parlamento, mesmo diante de tantas decisões engendradas pelos áulicos palacianos bajuladores que conspiram contra a Nação, para atender interesses fisiológicos que se multiplicam na mesma intensidade dos vermes.
Lá, igual aqui, imperava o princípio da desigualdade. A nobreza se valia das vantagens e dos privilégios para usufruir os cargos da corte, os comandos militares e as dignidades eclesiásticas. Os déficits eram constantes nos orçamentos e os impostos se cobravam de forma arbitrária como que por medida provisória na sua forma definitiva.
No Brasil, os pequenos empresários são sufocados pelos impostos que lhes comprometem a condição de subsistir. É vexatório e vergonhoso ver tantos camponeses às margens das rodovias reivindicando terras para produzir. Essas duas vertentes estão fomentando os ideais de mudança.
A má administração das finanças públicas em todas as esferas de governo começa afetar a burguesia nacional. Aqui, como na França, também emergiram grandes empresários e capitalistas, que hoje estão inconformados em permanecer relegados a um segundo plano, enquanto um movimento entreguista em nome da globalização, promove a desnacionalização da economia brasileira e compromete a sobrevivência do empresariado nacional com a carga tributária mais elevada do mundo.
O encontro das águas que irão produzir a energia suficiente para modificar o status quo decorre do entendimento necessário entre empresários e trabalhadores, capaz de alavancar o mercado interno e promover a distribuição de rendas que o governo não fez, diminuindo as desigualdades sociais que ele patrocinou. Só assim o Brasil será soberano. O seu povo mais feliz e seus empresários mais competitivos.


- ALMIR ROCKEMBACH é economista em Londrina

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