A semana terminou com a primeira suspeita de ebola no Brasil. O País, de fato, está preparado para conter um eventual avanço do vírus? Embora as equipes técnicas tenham feito simulações prévias de atendimento a pacientes infectados, na quinta-feira, houve o "teste real". A suspeita foi detectada em uma unidade de pronto-atendimento de Cascavel (Região Oeste) que fez a rápida notificação ao governo federal. O resultado do exame, que confirmará ou não a doença, deverá ser divulgado hoje de manhã.
O guineano Souleymane Bah, de 47 anos, chegou ao Brasil no dia 19 de setembro pelo aeroporto de Guarulhos, vindo de Conacre, capital da Guiné; o voo fez escala no Marrocos. Somente no dia 23 pediu refúgio na delegacia da Polícia Federal em Dionísio Cerqueira (SC). Até essa data não se sabe ao certo o caminho percorrido por Bah e nem como ele chegou à Dionísio Cerqueira, onde pediu refúgio na sede da Polícia Federal. A trajetória do paciente no Brasil não é conhecida.
O episódio reforça a vulnerabilidade do País com relação à "entrada" de doenças no Brasil. Guiné, Serra Leoa e Libéria concentram casos de ebola e, sequer, Bah foi monitorado quando chegou ao aeroporto. Sem alarmismos, mesmo que esse caso seja descartado hoje, corre-se o risco de registrar uma outra epidemia, como a de gripe A há alguns anos. O atual surto de ebola – o pior já registrado – já matou mais de 4 mil pessoas no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde. Até o final deste ano, projeções matemáticas indicam que ainda poderá haver milhares de contaminações.
Esses registros e as estimativas reforçam a fragilidade das barreiras sanitárias em todo o mundo. A OMS não conseguiu controlar a epidemia nos países africanos, europeus e americanos também contraíram o vírus e agora há uma suspeita no Brasil que, se confirmada, atingirá dezenas de pessoas. É necessária uma soma de esforços entre países para evitar o avanço do vírus e do número de contaminados. Além disso, o governo federal precisa reforçar as barreiras sanitárias a fim de reduzir a vulnerabilidade das fronteiras.

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