Estamos mais ricos?
O Paraná passou o Rio Grande do Sul e tornou-se a quarta maior economia do Brasil. O anúncio do "upgrade" na lista dos estados mais ricos aconteceu na última quinta-feira, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou as contas regionais do Brasil 2010-2013. É importante ressaltar que os dados que ajudaram o Paraná a subir um degrau entre as melhores economias levam em conta o ano de 2013. O PIB é anunciado com uma defasagem de dois anos por conta da complexidade do cálculo, que usa dados de várias pesquisas estruturais. Em 2013, o PIB do Paraná somou R$ 332,837 bilhões.
A conquista da quarta posição é histórica, pois há 66 anos o Paraná ocupava a quinta posição no ranking dos estados que mais geraram riquezas para o País. Em 2013, os paranaenses responderam por 6,3% desse bolo, ficando atrás de São Paulo (32,1%), Rio de Janeiro (11,8%) e Minas Gerais (9,2%). Os gaúchos perderam por pouca diferença a quarta colocação, ficando com uma fatia de 6,2% no PIB nacional.
O Paraná também subiu uma posição no ranking do PIB per capita (PIB total dividido pelo número de habitantes). E passou a ocupar a sexta colocação. Em 2013, o Estado apresentava um PIB per capita de R$ 30.265, atrás do Distrito Federal (R$ 62.859), São Paulo (R$ 39.122), Rio de Janeiro (R$ 38.262), Santa Catarina (R$ 32.290) e Espírito Santo (R$ 30.485). A média do Brasil foi de R$ 26.444. Outra notícia positiva para os paranaenses. O crescimento do PIB fez do Paraná o segundo Estado com menor desigualdade social - levando em consideração o índice de Gini - perdendo apenas para Santa Catarina.
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), que colabora com o IBGE na divulgação do PIB, analisou os fatores que impulsionaram a economia do Paraná em 2013: a safra agrícola em ótimo ano e a elevada produção de energia elétrica. Tanto que a participação da agricultura no PIB estadual subiu de 6,1% para 7,6%. Por outro lado, a participação da indústria de transformação caiu de 17,5% para 16,4%.
Mas, se estamos mais ricos, por que sentimos que o dinheiro está cada vez mais curto? Infelizmente, a defasagem de dois anos na publicação do PIB de 2013 aponta para um cenário muito diferente hoje. A crise econômica que se fortaleceu em 2015 certamente está impactando negativamente na geração de riquezas. Tanto que o Banco Central projeta para este ano uma queda de 3,1% no PIB brasileiro. Portanto, ainda é cedo para apontar como tendência o crescimento maior da economia paranaense em relação à gaúcha. Mesmo porque a diferença é pequena e como diz o gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Frederico Cunha, as duas economias são muito parecidas, "quase gêmeas".





