Uma revista inglesa insuspeita, ‘‘The Economist’’, publicou uma matéria tratando da coação que os Estados Unidos exercem sobre a América Latina. Segundo The Economist ‘‘ninguém nomeou os Estados Unidos para Deus. Não, nem mesmo para legislador, policial, juiz ou curador do planeta Terra’’.
Essa mania americana de juiz do mundo é o que mantém Fidel Castro em Cuba. Nada melhor que uma briga externa para manter a unidade interna. Essa tática é muito usada por governantes, quando querem desviar a atenção dos problemas internos. Fidel Castro já teria sido deposto se não fosse essa briga de Davi e Golias.
O problema das drogas é outro calcanhar de Aquiles da política externa americana. Querem punir a Colômbia e o México, esquecendo que a produção de tóxicos só existe porque os Estados Unidos garantem 55% do mercado mundial. Mas como é mais fácil culpar o outro... Parece até a história do lobo e do cordeiro.
A América Latina sempre foi considerada o quintal dos americanos. E sempre desprezada. Após a segunda guerra mundial, os Estados Unidos bancaram o Plano Marshall para reconstruir a Europa. A América Latina recebeu a promessa que, depois da Europa, eles cuidariam de nós. Quando poderia chegar a nossa vez, começou a guerra na Coréia. A prioridade era evitar que os comunistas dominassem a Ásia. Como a América Latina estava razoavelmente tranquila, podia esperar.
Quando é que poderemos esperar mais atenção dos americanos? Nunca. Nosso erro tem sido contar com isso, sem cuidar de fazer nossa parte. O único país que foi à luta, e resolveu seus problemas sozinho, foi o Chile. Mais recentemente, a Argentina, o Brasil e outros países latinos, estão tentando fazer suas reformas, e cuidar das suas vidas sem contar com o apoio do gigante americano.
Brasil e Argentina se uniram no Mercosul, que recebeu também a adesão do Uruguai e Paraguai. O Chile tem problemas para se unir ao Mercosul, porque suas reformas estão muito mais adiantadas que as nossas.
Depois que ficou provado que o Mercosul está indo bem, os Estados Unidos querem forçar nossa entrada no mercado comum que eles têm com Canadá e México. Na realidade eles não querem nos ajudar, mas levar vantagens comerciais.
Os Estados Unidos tem, pelo menos teoricamente, o mercado mais aberto do mundo. Sua taxa média de importação é de 7%. Eles querem que nós baixemos também nossas taxas de importação, para que eles possam ter mais facilidades para vender seus produtos aqui. Acontece que nós antes temos que aprender a usar restrições não tarifárias com a mesma eficiência que eles usam para proteger seu mercado para suas empresas. Usando argumentos como o dumping, como a proteção de setores em dificuldades, eles conseguem sobretaxar, ou colocar quotas, em nosso aço, açúcar, suco de laranja, têxteis, calçados e muitos outros produtos. Japão e Europa também não ficam atrás nessa competência para proteger as empresas locais.
Enquanto o Brasil não aprender a ser esperto, não aprender a negociar bem, a proteger suas empresas e os empregos dos brasileiros, é muito arriscado uma união com um parceiro muito mais forte, como os Estados Unidos. Você concorda?

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