Em seus 47 anos como parque estadual, Vila Velha viveu um rosário de erros e delírios administrativos. Em primeiro lugar, a reserva é rasgada por uma rodovia de pista dupla – a BR-376, que liga Curitiba ao interior do Estado –, uma ferrovia e o gasoduto Brasil-Bolívia. O barulho dos veículos causa ressonância nos paredões de arenito.
Há outros erros. Parte da área foi ‘‘reflorestada’’ com árvores exóticas, como pinus e eucaliptos, que se disseminaram como praga. Outra parte foi destinada a um campo experimental agrícola, que usa agrotóxicos e adubos químicos. Foram construídas no parque uma pista de kart, uma Igreja Católica, um conjunto com 27 casas, restaurante e lanchonete junto aos arenitos.
Mas nada se compara a duas iniciativas entre os anos 70 e 80. A primeira foi a construção de um complexo público de lazer, com restaurante e duas piscinas – uma gigante, para adultos, e a outra para crianças – abastecidas com a água de nascentes do parque. Em 81, o Estado decidiu iluminar os arenitos. Chegou a instalar os holofotes, retirados pouco depois. A primeira iniciativa foi barrada por uma inédita ação popular. Em 1984, a Justiça determinou a demolição do complexo aquático e da estrada asfaltada que leva a ele. A ordem nunca foi cumprida. (V.D.)

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