Para quem ainda tem dúvidas sobre o ''Estado forte'' que Dilma Rousseff pretende implantar, se eleita sucessora de Lula, tudo pode ficar mais claro após o ocorrido na última semana - e que poderia ser mais um escândalo, porém não tem a menor chance de ganhar espaço na mídia. A denúncia ficou nos meios impressos. Seguinte: a Telelebrás, por determinação do governo Lula, usará rede de fibras ópticas pertencente a empresário Nelson dos Santos que pagou pelo menos R$ 620 mil ao ex-ministro José Dirceu.
O Estado forte hoje no Brasil - dentro do ideário político - é a gestão promíscua de empresas privadas, privilegiadas pelo governo, com empresas públicas. É o trânsito livre que os políticos têm nas empresas influentes. No presente caso, Nelson Santos adquiriu por um valor simbólico a sua participação na Eletronet, conforme denunciou a Folha de São Paulo.
Quase falida, a Eletronet era dona de certa quantidade de fibra óptica mas este patrimônio não cobria sua grande dívida. Depois que o empresário Nelson Santos contratou José Dirceu para prestar consultoria, o governo Lula decidiu usar as fibras ópticas da Eletronet para reativar a Telebrás (tanto que o título usado pelo jornal é ''Nova'' Telebrás) e arcar sozinho com a caução judicial necessária para resgatar a rede, hoje em poder de credores. Estima-se que o negócio renda ao empresário mais de R$ 200 milhões. É como se ele ganhasse sozinho, e por três vezes, o acumulado da Mega-Sena da última semana cujo prêmio chegou aos R$ 72 milhões.
Na defesa do seu ''Estado forte'' os assessores de Dilma Rousseff levam em conta a crise dos bancos iniciada em 2008. Para eles, se a iniciativa privada fosse eficiente, bancos não quebrariam. Agora eles não só quebraram, junto com o capitalismo, como deram prova da fragilidade do livre mercado, expressão que Dilma não gosta nem de pronunciar. Só que ao emitir esse conceito os defensores do ideário estatizante se esquecem de uma informação elementar. Nenhum governo, nem na Europa, nem nos Estados Unidos, passou a participar dos bancos após a crise; ninguém comprou uma só ação em bolsa nem nada. Os governos, inclusive o governo de Obama nos EUA, emprestaram dinheiro aos bancos; não se tornaram sócio deles.

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