Quase um ano sem o secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari, visitar Londrina, é tempo demais, tratando-se da segunda cidade do Estado e assolada pela violência. Violência que ocorre também em outras cidades, que merecem atenção. Em sua inesperada visita de quinta-feira, trazendo os seus números, ele disse que ‘‘a situação da violência é estável’’. Uma posição nada favorável, significando que tudo continua igual. Estabilidade em violência é um péssimo sinal, quando deveria ter havido queda. Mas nem a estabilidade parece ser plenamente verdadeira, porque para o empresário Rubens Augusto, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, ‘‘muita gente hoje em dia já não faz registro no Boletim de Ocorrências, por não acreditar na ação policial’’. Segundo esse representante empresarial, as pessoas ligam mais para as instituições do que para a Polícia.
  São dados que, por vir pouco a Londrina, o secretário desconhece, já que não são registrados. Pelos números particulares, houve aumento de furtos e roubos, e sabem a Polícia e as vítimas que os assaltantes ameaçam revidar se forem denunciados. Por isso, muitos que enfrentaram cano de revólver apontado na cabeça têm medo de desafiá-los.
  Uma boa informação trazida pelo secretário é que retomará os contatos com as lideranças, e espera-se que isto seja feito pessoalmente, com regularidade no mínimo trimestral. Ele prometeu que enviará para a cidade mais 170 policiais, para somar-se aos 1.020 hoje existentes. A população tem reclamado mais agentes nas ruas, porque os bandidos assaltam casas comerciais e residências, assim como as pessoas, às vezes em plena luz do dia e em meio à multidão. E obviamente que quem assiste também entra em estado de temor e não ousa interferir, e nem deve, pois o confronto é desigual.
  O secretário da Segurança declara que ‘‘alguns fatos foram superexplorados pela imprensa’’, mas ele não poderia desejar que os veículos de comunicação deixassem de levar à exaustão os alertas sobre o drama vivido pela população insegura. Naturalmente que o titular da Segurança precisa comparecer mais freqüentemente a Londrina e outras cidades maiores, para reunir-se com os comandantes das corporações policiais e com as lideranças comunitárias. Não faz sentido sua afirmação de que ‘‘a sensação de insegurança não tem nada a ver com segurança’’, porque se a população está insegura é porque tem razões de sobra para isso. Se há respaldo de segurança não há insegurança.

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