ESSÊNCIA E EXISTÊNCIA
"não poderemos ficar alheios e distraídos. Nem o momento comporta atitudes de indiferença".
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de maio de 2026
"não poderemos ficar alheios e distraídos. Nem o momento comporta atitudes de indiferença".
Arlei de Espindola 
O canto sacro litúrgico, de hoje, na missa com base, talvez, nos Salmos, tinha este trecho: "0 senhor nos chama a mudança interior". Achei bonito; o órgão, puxando as vozes, firmes, unissonas, muito lindo!
Saindo de cima do muro, como indica, o padre Antônio Vieira, ser um ditame, nos seus Sermões, desenvolve-se exegese. O despertar da fé, decorrência da descoberta de uma verdade, tem segundo Sto Agostinho, este poder. O mesmo consiste em revolucionar a vida da pessoa humana; esta, ao deparar-se com as adversidades, nao mais vê a turbulência como insuperável.
É verdade que é em sentido diferente, entretanto, que Camus afirma, num colóquio em 1949, já que se sente inserido, ainda, no contexto da segunda guerra mundial. Por isso, não pensa na omissão, como o jesuíta do século XVII, enquanto um pecado. Mas este argumenta: "não poderemos ficar alheios e distraídos. Nem o momento comporta atitudes de indiferença".
Trata-se aqui, todavia, de uma escolha, é claro, que se faz, mas uma escolha que nos põe, na perspectiva clássica, diante de algo no plano da essência; ou seja, é reconhecida uma substrato na espiritualidade. É uma visão, sem dúvida, metafísica do mundo. E o aceite desta, pelo que parece, a cada dia, dado o tipo de tragédia que se vive, tem se tornado fundamental. Neste estado presente, em que tudo tende a ser rápido, passageiro, fútil, banal, absurdo, beirando a feiúra, experimenta-se outra espécie de desamparo.
Vale afirmar, com efeito, que se comemorou, em 08 de março, o Dia Internacional da Mulher, que é este ser possuidor de um dom, muito próprio, de gerar, no seu útero, a vida deste ente finito, em germe, que é o homem e a própria mulher. Convive-se com o aumento, no entanto, do feminicidio, ultimamente, o que muito nos espanta.
Falando-se de vida, parece-me ter sentido, ao final, essa conexão, aqui, na qual procura-se lembrar do poder da "natalidade", para recordar Hannah Arendt. Isso em meio ao que é, como diz, inclusive, um ilustre habitante, de Eleia, notadamente, na Grécia da Antiguidade, chamado Parmênides, o qual descarta a ideia, diferentemente de Heráclito, este de Éfeso, de que haja geração e corrupção, visto que as coisas, para ele, são como elas são, e não como se quer que elas sejam.
Ou, dito, noutro registro: cada um é o que é; e não existe, propriamente, a liberdade! Será ou não será assim? Tende a seguir o debate, e o diálogo, por certo, no avançar do tempo, sendo-se, de nossa parte, um tanto otimista! Razão pela qual não há problema em parar aqui. Afinal, é hora do almoço!
Arlei de Espindola
Professor de Filosofia com pós-doutorado na área de Ética e Filosofia Política.


