Esqueceram de combinar com os russos - Mírian Guaraciaba
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de julho de 1998
Mírian Guaraciaba 
O ritmo é frenético nas 91 salas e saletas do comitê eleitoral de Fernando Henrique Cardoso em Brasília. Mas ainda não foram definidas as regras do jogo que vigorarão durante o período em que FHC estará exercendo ao mesmo tempo papéis de presidente e candidato.
Faltou combinar (antes de começar a partida) como seria a relação entre o governo e o comitê. Um não vive sem o outro, mas falta sintonia entre os que se hospedam na Esplanada dos Ministérios e os que ocupam os quatro andares do antigo prédio da SAB, no Setor Comercial Norte.
O melhor exemplo aconteceu na segunda-feira, quando o ministro José Serra descobriu por acaso que o comitê divulgaria naquele dia cartilhas contendo o programa do candidato. Uma na sua área (Saúde) e outras duas sobre Comunicações e Indústria e Comércio.
O texto trata do que o governo fez e o que pretende fazer caso Fernando Henrique seja reeleito. Eu sequer fui consultado, queixou-se Serra ao presidente, por telefone. E impediu o lançamento das cartilhas.
O pivô da encrenca chama-se Paulo Renato Souza. O ministro está fora da campanha, mas arvorou-se da autonomia que desfrutou em 1994 como autor do Programa Mãos à Obra. Fez relatórios e aprovou propostas sem combinar com quem de direito.
O ministro é padrinho de Carlos Pacheco - responsável pela elaboração do programa de governo para os próximos quatro anos. Pacheco ocupa um gabinete no comitê e está afinadíssimo com Paulo Renato. Mas, aparentemente não está sintonizado com o resto do governo.
A enorme fogueira que arde entre a Esplanada e o comitê atrapalha o ritmo da campanha. Paulo Renato estuda a possibilidade de tirar férias para assumir o posto de 1994. Sua iniciativa não é bem vista. Antes de tudo, porque ficaria apenas um mês no comitê.
Além disso, é um dos ministros mais populares de FHC. Deve continuar trabalhando para passar a imagem de um governo que se preocupa apenas com a continuidade de seus programas.
- MÍRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília


