Andar de carro velho, com mais de 10 ou 20 anos de uso, pode ser sinônimo não só de falta de dinheiro, mas também de imprudência. Freios que não funcionam, portas seguras apenas por arames, escapamentos arrastando no asfalto e lanternas que não acendem, colocam em risco não só o motorista do veículo, mas todos os outros.
''É maior a chance de causar acidentes, e além disso esses veículos atrapalham o fluxo do trânsito'', alerta o diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior.
Entre os perigos de um carro mau conservado, o comandante da Companhia de Trânsito (Ciatran), aspirante Marcelo Barros, destaca os problemas causados por falta de freios, pneus ''carecas'' e a falta de equipamentos de sinalização.
''É perigoso o carro se perder numa curva, atropelar alguém por falta de freios, ou ter o carro atingido porque não sinalizou a direção que iria seguir'', disse. Segundo Barros, os carros ''velhos'' não são vistos com tanta frequência no centro de Londrina. ''Eles circulam mais na zona rural, ou em vias secundárias, inclusive para fugir da fiscalização''.
Para o comandante da 2 Companhia da Polícia Rodoviária, Capitão Hélio de Oliveira Manuel, a inspeção veicular anual, prevista no Código Brasileiro de Trânsito, mas ainda sem regulamentação, seria a melhor forma de evitar o trânsito de veículos velhos e mau conservados em estradas secundárias. ''Não tem como o policial avaliar, por exemplo, as condições mecânicas do veículo durante a fiscalização. No caso dos pneus, é possível reter o veículo para regularização'', observa.
Um dos exemplos de quem utiliza carro ''velho'' em Londrina é o pintor José Bueno, de 68 anos, que fica bravo com quem faz pouco caso da sua Belina ano 1975. Ele afirma que o veículo tem todos os itens de segurança e apesar do plástico da lanterna estar quebrada, a lâmpada está no lugar e funcionando. ''Não está bonito, mas andar, anda. E tem tudo certinho'', defende-se.
Apesar de Bueno garantir que há segurança no carro (''anda no meio de qualquer outro no centro de Londrina, sem problema nenhum''), o veículo é usado apenas para carregar os materiais de trabalho e levar a esposa ao médico, quando necessário. Para circular pela cidade, ele diz que prefere utilizar ônibus, por causa do preço da gasolina, que está muito alto. Por causa da idade, o pintor não paga a passagem de ônibus. ''Cadê dinheiro para ter um carro melhor? Esse meu vale uns R$ 700,00. Não compensa gastar R$ 400,00 para arrumar'', calcula.

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