O esporte londrinense começou 2018 comemorando a presença de três equipes de alto rendimento da cidade em campeonatos nacionais. Além do handebol masculino, que segue na Liga Nacional, tivemos a participação de um recém-criado time de vôlei feminino na Superliga B e o retorno do basquete masculino, que jogou a Liga Ouro, campeonato de acesso ao NBB (Novo Basquete Brasil), elite da modalidade no País.

O vôlei conquistou o público e, com o vice-campeonato, ganhou o direito de disputar a Superliga A. Entretanto, logo o orgulho se transformou em decepção. Em junho, alegando falta de apoio (a equipe havia perdido seu principal patrocinador), anunciou transferência para Balneário Camboriú (SC).

O basquete pode se tornar o próximo. Como mostrou a FOLHA recentemente, o time precisa comprovar até 16 de novembro ter ao menos R$ 500 mil para jogar a próxima Liga Ouro, e não está conseguindo recursos para assumir esse compromisso. Há qualidade no trabalho, comprovada pela boa campanha deste ano (chegou às semifinais) e pela convocação de Gustavo Santana, atleta da base do projeto, para a seleção brasileira sub-15. Mas nem isso parece comover potenciais apoiadores.

O handebol, que ficou alguns anos fora da Liga Nacional, disputa na sexta-feira (26) e no sábado (27) as quartas de final da competição. Apesar de estar na sua quarta temporada desde o retorno, a equipe está longe de contar com os patrocínios e a estrutura que lhe permitiram ser bicampeã brasileira e campeã pan-americana e tornar-se o primeiro time londrinense de esportes coletivos a disputar um Mundial. O projeto sobrevive da obstinação do treinador Giancarlos Ramirez, um apaixonado pelo esporte.

Como também são apaixonados atletas, técnicos e dirigentes retratados no Especial Transmídia publicado pela FOLHA este mês, que, nos JAP's (Jogos Abertos do Paraná) disputados recentemente em Londrina, mostraram uma dedicação que sobrevive à falta de incentivo para seguirem competindo - o problema não é apenas londrinense, portanto.

Há quem cobre mais apoio do poder público, mas não cabe ao Estado (ou não deveria caber) o papel de custear o esporte de alto rendimento. A iniciativa privada, por seu lado, ainda sofre com os efeitos da crise e não investe em patrocínios como fazia antes dos anos de recessão. Mas é importante lembrar que os recursos destinados a outros esportes além do futebol sempre estiveram aquém do necessário. Uma mudança de cultura se faz necessária para que anos mágicos como o que se anunciava para Londrina não terminem em frustração.

mockup