O novo presidente da Fundação do Esporte de Londrina (FEL), Ariobaldo Frisseli, contesta com veemência que o esporte amador local está em decadência. Professor da UEL, e mais conhecido como Dedé no meio esportivo, ele acredita que os investimentos no setor nunca foram tão grandes. ''Faltam investimentos privados'', cobra.

Nesta entrevista à Folha, Dedé justifica a saída de Londrina dos Jogos Abertos do Paraná e diz que a prefeitura quer trazer uma sede ou sub-sede da Copa do Mundo de 2014 para o estádio do Café.

A imprensa especializada avalia que o esporte amador perdeu parte da visibilidade. O que está faltando?
Falta os órgãos de imprensa divulgarem tudo que acontece no esporte amador. Nosso handebol masculino foi campeão e vice da liga nacional durante três anos; temos a melhor equipe do país no futsal feminino; estamos entre as três melhores equipes de atletismo, entre as dez melhores de basquete, e voltamos a incentivar o futsal masculino.

Mas o patrocínio da equipe de handebol e basquete é feito por empresas particulares, não?
Em parte, sim. Mas pergunta para o pessoal dessas equipes se conseguiriam montar a mesma estrutura sem os mais de R$ 300 mil que investimos...

Londrina, que ajudou a criar os Jogos Abertos do Paraná, deixou o torneio a partir de 2006. Isso não é um retrocesso?
Não. Apenas deixamos de gastar um dinheiro que estava sendo investido erradamente. Os Jogos Abertos que Londrina idealizou, por meio do (falecido) professor Reinaldo Ramon, não é o de hoje. Atualmente, os jogos estão desestruturados, com ginásios vazios, sem estímulo e com equipes que são formadas apenas para ir lá fazer festa. Não adianta juntar meia dúzia de gatos pingados, treinar uma semana e ser campeão num torneio com baixa competitividade.

Mas, com isso, algumas modalidades deixaram de ter continuidade...
Este é o grande problema de termos rompido. Temos sequência no handebol masculino, atletismo masculino e feminino, futsal feminino e masculino, e basquete masculino. Mas as outras modalidades sofrem um pouco com a interrupção. Aí pergunto: Os Jogos Abertos eram uma boa sequência? Nós achamos que não. A Fundação está aberta para outras equipes que querem ingressar no alto rendimento, desde que seja com gente séria e tenha contrapartida da iniciativa privada. Caso contrário, vamos investir na formação de atletas...

Quando assumiu o cargo, no final de 2006, o senhor prometeu trazer grandes eventos esportivos para Londrina. O que está programado?
Estamos trazendo, de 8 a 11 de março, o circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia - no aterro no Lago Igapó II. Teremos ali as melhores duplas do mundo. Além disso, a prefeitura formalizou pedido para fazer de Londrina uma sede ou subsede da Copa do Mundo de 2014, que poderá ser feita no Brasil. Até lá, temos sete anos para construir a infra-estrutura. Apenas a colocação de cadeiras tem custo aproximado de R$ 1,5 milhão - e note que a Fifa não exige mais os encostos laterais, só para o setor da bunda mesmo (sic). Mas, sem ajuda da iniciativa privada, não vale a pena investir nesse sentido.

Há quem considere um sonho descabido pleitear a sede de uma eventual Copa do Mundo em Londrina...
Temos que pensar grande, senão vamos ficar nessa mesmice. Aí, quando chegar em 2014, ganha uma cidade menor do que Londrina, e talvez vocês da imprensa vão ser os primeiros a falar que, na época, ninguém pensou em nada disso. Decidimos não nos omitir.

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