Espetáculo de segundo turno é prometedor
Apoio de partido não significa garantia de apoio dos eleitores, por isso quem votou num candidato que não se elegeu num primeiro turno pode não optar por quem o política derrotado indicar. Não existe uma obediência cega a essa indicação, embora uma tendência favorável nesse sentido, quando partidos e candidatos se afinam ideológicamente. Por isso, as alianças que vão se formando, tanto para a eleição presidencial como para a estadual, não se bastam por si sem a corrida para a conquista dos eleitores, que não votaram nos agora finalistas. No caso paranaense, os 17% dos votos dados a Flávio Arns e a Rubens Bueno (9% e 8%, respectivamente) são a fatia que Roberto Requião e Osmar Dias disputam mais a dos pequenos partidos , e a batalha promete ser acirrada, devendo evidenciar-se intensamente quando forem acionados os palanques eletrônicos e começarem os debates, lado a lado, entre os dois candidatos. A expressão olho no olho é apenas alegórica, porque os adversários não se encaram dessa maneira e, quanto possível, evitam olhar-se. Por ora, Osmar recebeu o apoio de Rubens Bueno e do prefeito da Capital, Beto Richa, e Requião conta com a adesão dos partidos nanicos PV e PSL, enquanto aguarda uma posição que espera lhe seja favorável do petista Flávio Arns. Este provável apoio dependerá de Requião assumir publicamente a candidatura Lula, o que poderá não ocorrer, como estratégia para não se indispor com quem se eleger Presidente, caso ele (Requião) se reeleja. Opiniões correntes são de que a opção do governador pelo candidato petista poderia tirar-lhe votos, porque, no Paraná, Geraldo Alckmin teve mais votação do que Lula. Osmar já estava engajado na candidatura tucana e isto favoreceu o apoio de Rubens Bueno e facilitou as coisas para o prefeito curitibano, que ficou neutro no primeiro turno da eleição estadual e posiciona-se agora pró Osmar, porque coordena no Paraná a campanha de Alckmin, seu companheiro de partido. As primeiras pesquisas divulgadas colocam Requião e Osmar com iguais 50%, e esse indicativo surpreendeu pela rapidez com que o candidato oposicionista superou os 4% de desvantagem do primeiro turno. Se pesquisas ainda não são o voto na urna, é certo que influenciam parcelas do eleitorado e tornam mais interessante a corrida quando os porcentuais se igualam. A tomar-se por base os números da pesquisa, cada voto passará a ser de grande relevância e objeto de disputa no corpo-a-corpo. Um páreo que se afigura duríssimo para os dois candidatos, sem chance para presunções de vitória antecipada. Já a campanha presidencial, esta ainda não mostrou claramente a sua face, que será visível sobretudo no horário político da televisão (que deverá reabrir-se quinta-feira) e nos debates que irão se travar por essa via. O espetáculo, no Paraná e no Brasil, é prometedor, e desta vez, com toda a certeza, envolverá mais intensamente o eleitorado.





