Espetáculo de crescimento das contas públicas
Certos slogans do presidente Lula vão sendo esquecidos, porque as idéias neles contidas não vingaram um deles o do espetáculo do crescimento. O que se viu, desde então, foi um espetáculo de crescimento das contas públicas, como demonstrou neste jornal o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap), José Joaquim Ribeiro. Porque o crescimento econômico no período foi de apenas 3,3% e a folha de pagamento do pessoal foi inflada com 103 mil novos contra-cheques. Se o governo não cria riqueza, como aquele analista avalia, quem paga a conta é o contribuinte. E não apenas isto, porque está prevista a contratação de mais 29 mil servidores.
A desculpa é que o governo quer melhorar os serviços, mas vê-se como observa José Riveiro que o IPVA foi criado para a melhoria de estradas e elas não melhoraram; a CPMF visou resolver os problemas da saúde pública (com a coleta, em 2007, de R$ 36 bilhões anuais), mas a carência no setor não foi atendida e apenas uma parcela desse dinheiro é destinada a este fim. O mais dilui-se, não se sabe onde, mas não é difícil perceber que entra pelo ralo da gigantesca conta das despesas públicas, em grande parte abusivas e desnecessárias.
Porque a máquina governamental é onerosa demais, pouco operante e corrompida. Ribeiro aponta que no período os gastos do Executivo subiram 27%, os do Legislativo 88% e os do Judiciário 127%. Se são as empresas que geram emprego, embora sufocadas com tanto imposto, são elas que vêm exercendo o grande papel social. O governo é um mero e demagógico repassador, como o faz com a bolsa-família.
O presidente do Sescap diz que um dos maiores problemas do serviço público é a estabilidade no emprego, que acomoda o servidor. Assim, ele nem tem patrão e não se sabe a quem presta contas. Por isso a máquina pública é emperrada. O empresário Lindomar dos Santos lembra que as agências de rendas de Arapongas e Apucarana foram desativadas, pois com as inovações tecnológicas já não havia necessidades delas, mas nenhum dos funcionários pôde ser demitido. Um absurdo, que não encontra explicação à luz da razão.
Barbaridades que acontecem neste País, sem que um deputado federal ou senador decidam propor uma alteração nessa lei. Afinal são eles os legisladores. Óbvio que temem mexer com o funcionalismo, porque ali é uma fonte de votos, e os parlamentares querem se manter e não manter a sanidade das instituições. A tecnologia chega às repartições, e isso implica em grandes investimentos, mas o pessoal não é reduzido porque lei como essa impera sem que alguém ouse extingui-la. Questiona-se, ante essas aberrações, para que serve o corpo legislativo.





