Esperar que servidores abandonem greve
O que parecia um desfecho satisfatório, face à intermediação da Câmara de Vereadores, não se concretizou, e o Sindicato dos Servidores Municipais, em Londrina, mantém a greve. A expectativa da comunidade, agora, é que os grevistas comecem espontaneamente a voltar ao trabalho, pois já reclama da perda de qualidade nos atendimentos de saúde, educação e assistência social. Entre os servidores, o desejo é que as reivindicações sejam atendidas e também que a greve termine e a normalidade se restabeleça. São 28 os itens reivindicados, entre os quais reposição salarial de 21%, que a Prefeitura declara não poder atender por insuficiência de recursos. Nas escolas municipais há um progressivo retorno dos professores, mas elas estão metade fechadas, e os pais de alunos mostram natural preocupação. Com a Prefeitura parada há mais de três semanas, os serviços à população nos demais setores vinculados ao poder público estão sacrificados. A impossibilidade de obtenção de papéis, incluindo alvarás, retarda o andamento de processos e prejudica a vida da cidade, e isto se reflete em toda a região metropolitana, que indiretamente tem dependências de Londrina. Como a administração municipal, ao que parece, já deu a sua última palavra, a tendência é a greve converter-se num sério impasse ou os servidores irem voltando às atividades por livre decisão. Acredita-se que esta seja a ocorrência mais provável, porque já há também um cansaço de parte dos grevistas. Alguns servidores ouvidos afirmam que só comparecem às assembléias por temer represálias do patrulhamento ideológico uma tática dos sindicatos e política tradicional da militância do Partido dos Trabalhadores (e a greve, ironicamente, é contra uma administração petista). Os promotores da Defesa da Saúde Púlbica e da Vara de Infância e Juventude já intervêm no movimento, solicitando a plenitude dos atendimentos nas áreas respectivas, e o Sindicato poderá ficar sozinho, porque também a opinião pública fica dividida, podendo repudiar a paralisação. Será necessário avaliar até onde a Prefeitura pode atender aos pleitos dos servidores, especialmente a questão do aumento salarial, e de sua vez o poder público precisa apresentar números mais substanciais à população, para informá-la sobre a realidade financeira, porque, em última instância, é o povo quem paga, sendo portanto a classe patronal no caso. De qualquer modo, o caminho mais sensato aponta para a volta ao trabalho, sem prejuízo de que as negociações continuem e se chegue a uma solução conciliadora. Certo é que aumentos salariais significam elevação dos gastos públicos, e quem irá pagar a conta será a comunidade, em forma de aumento de impostos.





