Esperando milagres
Logo após o apagão que afetou boa parte do País, na terça-feira, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que o povo precisava contar com Deus para que chovesse mais e os reservatórios das usinas hidrelétricas se recuperassem, garantindo, assim, tranquilidade no fornecimento de energia. Em tom de brincadeira, afirmou que Deus é brasileiro e que o povo tinha que contar que Ele vai trazer um pouco de umidade e chuva. Dois dias depois da afirmação que causou polêmica, o ministro decidiu não esperar um milagre cair do céu e admitiu a possibilidade do governo adotar racionamento ou outras medidas para tentar reduzir o consumo.
Braga disse que se o volume de água dos reservatórios das hidrelétricas chegar ao chamado nível prudencial, que é de 10%, o País vai precisar adotar algumas medidas. Pode ser decretado racionamento ou pode ser que o governo inicie uma campanha de racionalização. O limite de 10% é o mínimo para funcionamento. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios no Sudeste/Centro-Oeste, considerados os mais importantes para geração hídrica no País, estão em 17,43%. Ainda conforme dados da ONS, o Nordeste está com 17,18% e o Norte, com 35,2%. Na Região Sul, a situação está um pouco melhor, com 67,17%.
Não é só o abastecimento de energia elétrica que preocupa o chefe da pasta, mas ele admite que a situação hidrológica é crítica e chegou a níveis mínimos em várias regiões. Isso implica que, além de racionamento de energia, pode haver racionamento de água.
A possibilidade de racionamento de água e luz, infelizmente, é termômetro de vulnerabilidade do País e pode afastar investidores estrangeiros com intenção de investir no Brasil. O cenário de 2015 é reflexo do descaso. No ano passado, apesar de todas as evidências de falta de chuva e excesso de calor, o governo federal não tomou medidas para estimular a redução do consumo de energia. O jeito, agora, é apelar para a providência divina.





