Esperança insana - Newton de Góes Orsini de Castro
Esperança
insana
Newton de Góes Orsini de Castro
O Governo está trabalhando muito, para permanecer no Poder. Está iludindo o país como uma agenda de falsas reformas e falsos conflitos. (Elio Gaspari). Ultimamente vários economistas de renome têm afirmado que os países subdesenvolvidos têm sido mantidos como mercados consumidores, sem possibilidades de conquistar posicionamento como exportadores, estabelecendo déficits comerciais significativos. Agravando essa situação, a nossa política econômica estabeleceu absurdamente que a expansão da produção, do consumo e do emprego causam inflação. Em consequência, cortaram o crédito e elevaram os juros. Todos sabem que se controla inflação de demanda por intermédio de modernização e concorrência. A referida contenção monetária não é solução. Indiscutivelmente é destruição.
O Brasil tem sido mantido na desordem (ordenamento jurídico impróprio), sendo o Real sem inflação a única bandeira que têm para manterem-se no poder. Não consideram a realidade de que temos milhões de brasileiros vivendo sem dignidade. O Brasil para sair do subdesenvolvimento teria que: crescer em torno de 7% ao ano, durante dezenas de anos; estabelecer condições para aumentar, significativamente, a poupança interna; estruturar um ensino de bom nível, garantindo pelo menos a escolaridade de oito anos ao brasileiro menos preparado. Nada fazem para construir um país melhor. Julgo que crêem que os estrangeiros irão um dia, a prazo curto, tornar o Brasil uma nação desenvolvida. Esperança insana.
Não estamos em crise aguda simplesmente por que remuneramos o capital externo fantasticamente em detrimento do nosso desenvolvimento. É o que mantém o Brasil em relativa estabilidade político-econômica. Se tal posicionamento mudar entraremos em séria crise institucional: o Brasil não se estrutura para caminhar com estabilidade sócio-político-econômica. Quase que diariamente surgem escândalos que ocupam a mente dos brasileiros, fazendo com que não se conscientizem dos nossos graves problemas.
A presente conjuntura é caracterizada por realidades que não estão ao alcance daqueles que raciocinam equacionando unicamente soluções domésticas, internas e observadas preteritamente. Dentre as centenas de medidas financeiro-econômicas que a elite dirigente internacional pode adotar e que levarão o Brasil a sérias dificuldades citarei uma simples e banal: elevação dos juros nos Estados Unidos da América do Norte. Devo repetir que nações mal-estruturadas podem, a qualquer momento, entrar em total desequilíbrio sócio-político-econômico.
O relatório sobre desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas (PNDU) não sendo pessimista no seu todo, pelo contrário, bastante otimista, afirmou que a globalização está mantendo os países pobres marginalizados e que a expansão mundial do comércio está sendo realizada avassaladoramente, em benefício das nações desenvolvidas. Os países subdesenvolvidos vêm perdendo bilhões de dólares em consequência das barreiras e tarifas aplicadas pelas nações desenvolvidas.
Lendo atenciosamente o referido relatório podemos depreender que a globalização desenvolvida pelo poder supranacional, representado pelos países desenvolvidos, não está voltada para o desenvolvimento do continente sul-americano. A pobreza cresce sem a nossa elite dirigente elevar-se à consciência. Propor solidariedade comercial é menosprezar o nosso discernimento.
- NEWTON DE GÓES ORSINI DE CASTRO é advogado no Rio de Janeiro





