Estudo revelando os medos da juventude brasileira, face ao desemprego e à violência, traz o componente alentador de que eles acreditam num futuro melhor e que podem contribuir para isso. Elaborado pelo Instituto de Cidadania, esse estudo mostra os dois medos e as duas esperanças, ressaltando a desconfiança deles nos políticos e nas instituições governamentais e a crença na estrutura da família e na formação educacional. A expectativa de um país melhor de se viver está, portanto, depositada nos jovens de hoje, e se eles crêem que podem melhorar o futuro que de fato já está se iniciando com eles pode-se vislumbrar uma nação com governantes melhores, empresários mais justos e generosos com seus empregados, e empregados mais leais às empresas em que trabalham e mais responsáveis perante as suas tarefas. Por extensão, cidadãos mais conscientes de seu compromisso com a pátria e mais solidários, longe da competição predadora. É preocupante a revelação da pesquisa, mostrando que apenas 36% dos jovens trabalham, que 32% estão desempregados (depois de já terem tido emprego) e que os restantes nunca conseguiram trabalho. Mas o que desalenta mais é saber-se que não há no Brasil um grande projeto nacional voltado para o crescimento econômico, que resulte em incentivo ao atual empresário para investir mais em seu negócio e na criação de empreendimentos novos que gerem desenvolvimento e empregos. Para isso seria necessária a presença de homens melhor preparados no âmbito das decisões político-governamentais e que resultem também em reformulação de leis e sistemas, mas estes são escassos. Os indicativos são de que, dos atuais, pouco se pode esperar. Assiste-se no momento ao Congresso Nacional e ao Governo como um todo só preocupados com acusações e contra-acusações no caso dos escândalos da corrupção, somados às defesas mentirosas ou pouco sustentáveis dos envolvidos, não sobrando tempo para o estudo de novos projetos de leis e de reformas impulsionadoras do progresso econômico, político e social. Dos que ocupam funções relevantes, embora dentre eles haja homens proeminentes e capazes, não se avista sinais luminosos de grandes idéias. E, muito pior, parece não haver, nesse meio, disposição de ninguém para levantar bandeiras, destas que empolguem a nação e a conduzam à marcha na direção de uma causa. O povo já não acredita que alguma coisa fantástica e entusiamadora das massas vá emanar dos homens que atualmente ocupam funções decisórias, desde o menos expressivo dos vereadores de afastados rincões até o presidente da República. A preocupação dos jovens justifica-se, porém é mais animadora a proclamação deles na fé de que dias melhores virão e na posição de poderem contribuir para que tal aconteça. Na verdade, a expressão não é contribuir, mas fazer, porque serão eles os próximos feitores, e ninguém mais. O Brasil novo que todos almejam está rumando para as mãos deles, pelo inevitável processo de sucessão. Tamanhos descalabros hoje vividos não apenas na área político-governamental mas igualmente no ambiente da sociedade, um tanto injusta em muitos sentidos se são vergonhas são também alertas e indicações de um modelo a não ser seguido. Se os jovens desencantados mantêm, no entanto, a crença num futuro melhor para o Brasil e na disposição de eles próprios empenharem-se nessa empreitada, então devem ir começando já e agora. As formas são muitas. Cada qual deverá seguir a natural impulsão e descobrir por onde começar.

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