Finalmente 2003 chegou e, com o ano novo, renovam-se também as esperanças de um bom ano para a atividade publicitária, refletida na retomada do crescimento da economia brasileira. O publicitário, além de ser um otimista nato, é também um cético, pois só acredita vendo. Nos dois últimos anos, a promessa de um bom ano na publicidade vem sendo frustrada por fatos e situações alheios à capacidade empresarial e criativa das agências.
Em 2001 tivemos o desastre de 11 de setembro, que fez com que praticamente todo o mundo entrasse em compasso de espera. Tendo o fato ocorrido no final do terceiro trimestre, o empresariado nacional entrou no último trimestre (geralmente o melhor para o mercado publicitário) com medo do pior. Felizmente uma guerra em grande escala não aconteceu, mas houve uma grande redução dos investimentos em publicidade, dando início, então, a uma fase complicada no mercado publicitário nacional.
Essa fase atingiu seu pior momento durante a campanha eleitoral, onde o candidato da situação ''plantava'' notícias de cunho financeiro no intuito de gerar ondas de medo na população caso o atual presidente vencesse o pleito. Politicamente de nada adiantou essa estratégia. Porém, o mercado financeiro sofreu bastante com os vários aumentos do dólar e com as bolsas fechando em baixa quase que diariamente.
Resultado: uma recessão ainda maior e, como sempre, o primeiro segmento a sentir essa recessão foi o mercado publicitário. Ao longo de 2002 houve demissões em massa. Em São Paulo, mais de 800 profissionais perderam seus empregos. No Rio de Janeiro, esse número foi um pouco menor. Já em Curitiba, grandes e renomadas agências demitiram um bom número de profissionais capacitados, trocando-os por profissionais menos experientes e mais baratos (muitas vezes até estagiários) no intuito de reduzir os gastos com a folha de pagamento.
O ano de 2002 terminou de forma triste para o mercado como um todo, mas 2003 está aí. Com um governo voltado para o lado social, renascem as esperanças de que os brasileiros de camadas menos favorecidas terão mais dinheiro em mãos, o que leva a um aumento no consumo e, consequentemente, ao crescimento ou à retomada das verbas de comunicação.
Tenho a esperança de que nesse ano mais dinheiro estará circulando nas mãos do povo e, com isso, sairão na frente os empresários que acreditarem no País e iniciarem seu processo de comunicação publicitária antes de seus concorrentes.
MAURO MOREIRA DE SOUZA é diretor de Planejamento da Exclam Comunicação

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