ESPERANÇA - Pesquisa busca diagnóstico precoce para o autismo
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Os avanços da medicina já permitiram descobertas que mudaram a vida de muita gente. Só que até hoje nenhum exame é capaz de diagnosticar uma síndrome que atinge uma em cada mil crianças no mundo: o autismo. A doença, que tem vários níveis de gravidade e pode levar a pessoa a viver em um mundo simbólico, é detectada apenas pelo quadro clínico.
Adaílton Pontes, neurologista infantil do Instituto Fernandes Figueira, entidade carioca ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), busca uma ferramenta para diagnosticar a doença. Trata-se de exames laboratoriais com aparelhos de eletroencefalograma computadorizado.
Em entrevista à FOLHA, Figueira comenta sobre a nova metodologia e discute as consequências que o autismo pode trazer à uma pessoa. ''A doença não pode passar despercebida, pois dificulta a inserção do indivíduo na sociedade'', alerta o médico.
Em que consiste essa nova metodologia?
Primeiramente, é importante frisar que não há um novo exame. O eletroencefalograma computadorizado é conhecido na medicina desde a década de 1980. A novidade está na utilização da fotoestimulação em crianças autistas - o que nunca aconteceu. O objetivo da pesquisa é colher resultados que permitam futuramente criar um diagnóstico. É difícil prever quando isso vai acontecer, pois temos que reunir diversos dados. Já conseguimos perceber que o hemisfério direito dos autistas têm uma resposta de ativação menor, mas só isso não basta.
O exame será realizado somente em crianças?
O autismo necessita de diagnóstico precoce, ou seja, antes dos três anos de idade. Nessa etapa você pode e deve intervir com reabilitação de linguagem, psicologia comportamental e terapia ocupacional, por exemplo. Quando o diagnóstico é precoce o desfecho futuro é melhor.
Quais as principais vantagens da nova metodologia?
Permitir um diagnóstico mais preciso e objetivo. A grande vantagem é que o eletroencefalograma é um aparelho de baixo custo e completamente acessível. Uma ferramente desse tipo seria perfeitamente acessível à população de baixa renda.
Atualmente como o autismo é diagnosticado?
É feito exclusivamente pelo quadro clínico. O médico deve ter o conhecimento das manifestações clínicas da doença. Não existe nenhum exame de laboratório capaz de confirmar ou excluir o diagnóstico. Se futuramente nós tivermos um exame que prove que o que se vê clinicamente é verdadeiro, seria muito melhor. Quanto mais nova é a criança mais difícil é fazer o diagnóstico, pois os critérios clínicos são de certa forma subjetivos.
Quais as características mais marcantes do autista?
Atraso no desenvolvimento da linguagem. A criança até um ano e meio não emite nenhuma palavra e não atende pelo nome. Aos dois anos ela não une duas palavras e aos três não forma uma frase. Esses são alguns dos sinais de alerta. Outro sinal é se a criança não costuma olhar para os olhos da pessoa com quem está interagindo e não aponta para objetos para que os outros compartilhem com ela o que ela quer mostrar. Geralmente uma criança autista não tem interesse por brinquedos ou não brinca adequadamente com eles.
E quais as consequências do autismo?
Em primeiro lugar é a dificuldade de inserção na sociedade. Dependendo do grau de comprometimento, a pessoa vai ter dificuldade em ter um emprego e de aquisição acadêmica. Uma minoria consegue isso. Eles podem desenvolver quadros de agitação, de irritação, agressão contra os outros e si mesmo. É um custo muito grande para a família.
Qual é a causa da doença?
A causa certamente é genética. Ninguém sabe até o momento como esses genes interagem entre si e com o meio ambiente para que ocorra uma alteração no desenvolvimento do cérebro que impede a criança adquirir habilidades sociais.
Quando a doença é diagnosticada, quais os tratamentos indicados?
Não existe tratamente médico, com medicamentos. O tratamento é a reabilitação de linguagem com um fonoaudiólogo especializado nesta área. Também existe a terapia ocupacional, a psicologia comportamental e métodos reconhecidos internacionalmente que abrangem as intervenções pedagógicas e comportamentais.


