''Esperam que a gente puna o aluno agressivo''
''A maioria das vezes que somos chamados nas escolas, esperam que a gente puna o aluno que está arrumando confusão. Um aluno agressivo, por exemplo, a gente vai pegar pelo pescoço? Vai bater? Expulsar da escola e deixar onde, na rua? Será que as pessoas só conseguem lidar com a violência com mais violência?'', pergunta Valdir.
Segundo os conselheiros, todas as crianças e adolescentes com problemas de comportamento têm histórias que precisam ser conhecidas. Algumas foram crianças sem limites, outras foram espancadas ou mimadas em excesso... ''Eu já atendi um caso que o aluno era indisciplinado porque não enxergava. Tinha mais de três graus de miopia. Depois que arrumamos um óculos prá ele, o comportamento dele em sala de aula mudou'', conta o conselheiro Eduardo Miguel.
Para os conselheiros, violência se aprende. ''Talvez se as administrações anteriores não tivessem desativado projetos sociais como o Viva Vida, no Jardim Nossa Senhora da Paz, hoje não houvesse tantos adolescentes armados e violentos ali'', ressalta Marcio Antunes. ''Essas pessoas que defendem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos são as mesmas que defendem a pena de morte. Para elas, o Conselho Tutelar sempre vai ser um incômodo. Qualquer organismo que defenda direitos humanos sempre vai contrariar esse tipo de interesse'', conclui Marcio.
Rita Bastos diz que o modelo antigo de escola e educação não serve mais. ''A nossa realidade social mudou e as escolas precisam perceber isso. Se elas estão inseridas num bairro violento e têm alunos miseráveis, como esperam manter a disciplina através do autoritarismo? Nos Estados Unidos e na Inglaterra já se condena crianças à prisão perpétua e pena de morte. Será que é isso que a gente quer aqui no Brasil? Qual é o caminho que estamos buscando? Será que a força é a melhor resposta para a violência?'', pergunta.





