ESPÉCIES 'INVASORAS' - Plantas exóticas causam polêmica
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quinta-feira, 02 de agosto de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A discussão sobre plantas exóticas - que vieram de outros países - entrou de vez no noticiário londrinense com a erradicação de dezenas de árvores no Zerão pela secretaria municipal do Meio Ambiente (Sema), em julho. Com amparo da Portaria 95 do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), foram retiradas goiabeiras, santas-bárbaras e outras árvores sadias. Após protesto de ONGs e escolas, a Sema suspendeu os cortes até a elaboração de um Plano Municipal de arborização. O deputado estadual e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, Luis Eduardo Cheida (PMDB), pretende disciplinar a questão por meio de lei estadual - com o cuidado de definir quais são as exóticas invasoras para cada região do Paraná.
Toda espécie exótica é invasora?
Não, exótica significa que não é originária daquele ambiente. Ela se torna invasora quando passa a competir com as outras plantas e substituir espécies nativas. A invasora cresce mais rapidamente que a nativa porque não tem predadores naturais. A consequência imediata disso é a redução da biodiversidade.
O IAP classifica como invasoras plantas como beijinho e maria-sem-vergonha. Elas são realmente perigosas?
Acho que não. Tanto é que no Paraná essas espécies não estão proibidas. Nesse assunto, faço o seguinte raciocínio, que já confrontei com um representante da ONU: se o clima está mudando e cada bioma é composto por um conjunto característico de clima, fauna e flora, a dispersão das espécies vai se alterar e o que é invasora hoje pode passar a ser natural no futuro. Então, como fazer o zoneamento de exóticas e nativas nesse contexto? Os especialistas disseram que não tinham pensado nessa possibilidade futura, que estão tratando do presente.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil eram exóticos... Com essa discussão, não corremos o risco de sermos cobrados a deixar o país para resgatar o cenário verificado em 1500?
Tenho essa preocupação e penso como você. Assim como ninguém fala que o homem branco é exótico, não se fala da manga, que é indiana, por exemplo, e já virou brasileira, assim como a tilápia (peixe), que é do rio Nilo e está virando natural também...
A banana também é exótica, a laranja, a uva...
Exatamente. Isso mostra que temos uma visão muito segregacionista, o mundo é muito mais dinâmico. Acho que o grande problema que o homem vê nessas questões é que tem um custo muito grande. Hoje, estima-se que o mundo gaste U$ 1,4 trilhão só com os prejuízos das exóticas invasoras, isso dá 5% do PIB mundial. No Brasil, é estimado em U$ 50 bilhões por ano, em todos os sentidos, desde as doenças até o entupimento de encanamentos pelo mexilhão dourado. Agora, com relação a conviver com as espécies, acho que é possível sem nenhum problema do ponto de vista ambiental.
Uma espécie exótica pode ser invasora num bioma e não ser em outro?É uma boa linha de raciocínio, uma planta pode ser invasora numa região e não ser invasora em outra. Porque, às vezes, há mecanismos biológicos que a contém ali, um predador, um solo que não presta para ela, a competição com outra planta, aí ela não invade e não toma o lugar da outra. Nesses casos, esse tipo de planta não tem problema para nós.


