Os especialistas defendem uma reestruturação nas universidades federais, dando-lhes mais autonomia para gerirem seus recursos, pessoal e investimentos. ‘‘Seria um contrato com o governo: a universidade ficaria responsável pelos resultados e definiria como alcançá-los’’, explica Simon Schwartzman. ‘‘Hoje, acontece o oposto. O governo dá o dinheiro e diz à universidade como ela deve gerir.’’
O modelo de autonomia de que a universidade usufrui hoje é o inverso do que o cientista político francês Alexis de Tocqueville descreve em seu livro Democracia na América (1840), observa Maria Helena, do MEC: ‘‘Uma democracia efetiva é altamente descentralizada do ponto de vista administrativo, burocrático, financeiro, com algum grau de centralização política no que se refere à gestão global do Estado, com uma avaliação centralizada e prestação de contas.’’
Nas universidades públicas, diz a socióloga, ocorre o inverso: ‘‘Vivemos uma contradição estrutural permanente que é total descentralização política e uma autonomia quase soberana, com total centralização administrativa, burocrática e financeira. Essa é a grande contradição do modelo de gestão.’’

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