Especialista defende a adoção de um método alternativo de ensino
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sábado, 23 de junho de 2012
Redação FolhaWeb 
Ensinar não é missão simples. A tarefa de educar crianças e jovens exige responsabilidade e dedicação. O desafio é ainda maior quando os alunos vivem em situação de risco, como as que moram nas ruas, principalmente das grandes cidades do País.
No entanto, transformar vidas por meio da educação, por mais complicada que seja a situação da criança, é possível. Um exemplo de iniciativa bem-sucedida é o projeto Uerê, idealizado e mantido pela carioca Ivonne Bezerra de Mello. O método de ensino tem o objetivo de suprir as carências das crianças de rua, que têm as mais diferentes dificuldades de aprendizado.
A preocupação da educadora com o tema vem da adolescência, de quando ela tinha apenas 13 anos. A ausência da figura paterna, relata, foi um ponto que a aproximou da realidade enfrentada por milhares de crianças brasileiras. ''De certa forma eu me identificava com elas. Mesmo pequena, eu sentia o que essa ausência me causava'', conta.
Foi assim que ela passou a trocar experiências com as crianças de rua, com as quais dividia a leitura de livros. Anos depois, trabalhou como voluntária na Fundação Pestalozzi e aos 17 foi estudar na Universidade de Sorbonne, em Paris, onde fez doutorado em Filologia Linguística.
Nos anos 70, fez pesquisa sobre aprendizado de crianças em famílias de baixa renda e de imigrantes em cinco países africanos que estavam em guerra. De volta ao Brasil, fez doutorado em Políticas Públicas e Governo e em Direitos Humanos.
Diariamente, ia às ruas para ensinar até ficar nacionalmente conhecida pelo episódio da Chacina da Candelária, quando oito menores de rua foram assassinados por policiais militares no Centro do Rio de Janeiro. Avisada por sobreviventes, Yvonne foi a primeira a chegar ao local. ''Naquela noite decidi ser uma ativista sobre os direitos da criança e do adolescente neste país'', ressalta.
A prática veio por meio da educação. A primeira turma do projeto Uerê surgiu embaixo de um viaduto próximo ao Complexo da Maré, uma das favelas mais periogosas do Rio. ''Fundei a ONG em 1997, mas comecei a aplicar esta pedagogia alternativa em 2000. Tenho 85% de resolução dos problemas cognitivos em sala de aula'', afirma Yvonne, que desde então vem defendendo a metodologia intitulada pedagogia Uerê-Mello.
Leia mais na entrevista completa da repórter Micaela Orikasa


