Na sua recente visita à Londrina, o senador Sergio Moro mostrou que está desenvolvendo um novo jeito de fazer política. Diferentemente da maioria esmagadora dos nossos políticos, que nos procuram a cada quatro anos exclusivamente para pedir votos, ele pretende ter mais proximidade com a população, com maior frequência presencial, para ouvir as demandas e reivindicações da base eleitoral que representa.

Desde a sua posse como senador, Moro tem demonstrado ser um político diferenciado, desengavetando projetos de lei importantes que, se aprovados, podem iniciar a tão necessária moralização do exercício das atividades de cunho político-institucionais do nosso país; o desarquivamento das propostas da prisão em 2ª instância e do pacote anticrime são claros exemplos disso.

O ex-juiz da Lava Jato é destemido e persistente em combater os malfeitores. Mesmo ameaçado de morte e intimidado de forma odiosa, dolosa e irresponsável por um presidente da República sedento de uma vingança injustificável, ele não retrocede no seu intento de lutar contra os corruptos. Do alto da sua conduta ilibada, prossegue firme e focado nessa sua missão, que não é fácil, porque a corrupção incrustada nas entranhas do poder é crônica e inconcebivelmente aceita pelos tribunais superiores da nossa Justiça.

Espanta-nos a maneira como a velha política sepultou a Lava Jato, respaldada por togados patrocinadores da impunidade, e do cinismo com que os titulares das nossas instituições governamentais, incluindo a nossa autoridade mor, se elegem, e se reelegem, sem mencionar uma palavra sequer que nos dê esperanças que vão agir com honestidade e contra o sistema corrupto que nos assola.

Aliás, levando em conta quem nos preside atualmente, na condição de condenado em duas instâncias do Judiciário e que nunca foi inocentado, seria uma utopia e muita inocência acreditar que tal moralização possa acontecer. Tivéssemos algumas centenas de homens públicos da estirpe de Sergio Moro espalhados pelas nossas instituições governamentais, com certeza a nossa realidade seria outra. Decerto, estaríamos nos ombreando com os países onde a corrupção é mais contida, inibida por legislação penal mais séria, rigorosa e eficiente e não com a ruinosa frouxidão que se observa por aqui.

Como consequência desse sistema corrompido, instalado em todos os níveis da governança estatal brasileira, estamos posicionados na vergonhosa 94ª colocação, ao lado de Etiópia e Tanzânia, e atrás de Bielorrússia e Tunísia, por exemplo, no ranking da Transparência Internacional que mede o grau de corrupção no cenário mundial.

Sergio Moro não só venceu a eleição, bem como foi vitorioso, também, no enfrentamento a uma gama de obstáculos impostos à sua candidatura por um conjunto de políticos, agentes públicos, empresários corruptores e até de magistrados, todos interessados na continuidade da corrupção sistêmica que desastrosamente corrói os pilares morais da nação brasileira.

Temos esperança que Moro possa liderar os lavajatistas recém-eleitos, os parlamentares e demais agentes públicos que comungam da sua linha de pensamento e, com o apoio de uma considerável parcela da sociedade que rechaça a roubalheira sistemática do dinheiro público, possamos transformar o Brasil em um país que nos orgulhe e seja exemplar para as nossas futuras gerações.

Ludinei Picelli (administrador de empresas) Londrina

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