A expressão de Jesus no capítulo 21 versículo 15 de São João “Apascenta os meus cordeiros” pode ser traduzida hoje: “protege meus cordeiros”. Foi assim que o cardeal Seán Patrick O'Malley iniciou a sua palestra no congresso latino-americano sobre o tema dos abusos a menores e adultos vulneráveis.

Minimizar o abuso sexual contra uma criança ou adulto vulnerável é a atitude mais corrupta que pode assumir a Igreja nesta dolorosa situação. Muitos membros da Igreja tentam minimizar o abuso. Isto não pode ser jamais minimizado. Ainda não vemos segurança dos menores e vulneráveis dentro da nossa Igreja. As práticas de cuidado e proteção devem ser cada vez mais sólidas e seguras.

Quando um presbítero, bispo ou religioso agride sexualmente um menor ou um vulnerável de palavra ou de ato causa uma grande ferida ao Corpo Místico de Cristo. Não podemos minimizar, não podemos afirmar que nada aconteceu quando uma pessoa é abusada.

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São muitos os que feridos hoje não conseguem viver em paz. Muitos adultos e crianças que sofreram abusos hoje levam consigo uma história dolorosa na sua sexualidade, integridade e formação humana. O fato de ter minimizado o abuso levou muitas pessoas abusadas a permanecerem no silêncio e viverem no medo: assim os abusadores continuaram a agredir e destruir a vida de menores e vulneráveis.

Violências intrafamiliares, abandono do lar, feminicídios e violências sexuais levam hoje a todos nós a tomarmos consciência da grande necessidade de trabalharmos com competência e urgência para poder atender e compreender a situação daqueles que criminalmente foram abusados.

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O papa Francisco afirma abertamente: “Nunca será suficiente pedir perdão”. Além da conscientização, do acompanhamento pastoral, o uso da linguagem adequada e sobretudo a consciência moral da agressão; devemos descobrir o valor de juntos assumir uma postura de tolerância zero.

Quem minimiza num certo sentido é tolerante com a agressão. Um caso concreto hoje não podemos tolerar o abuso de poder sobre as pessoas; nem muito menos o abuso da consciência obscurecida por uma falsa direção espiritual. De fato deste tipo de abuso derivam-se muitos futuros abusos.

Dentro da igreja temos vítimas e agressores, há quem encobre e quem descobre. Há feridos e curados, há criminais e inocentes. Sustentar um dos dois polos é perigoso e doentio. A igreja precisa analisar o tema da prevenção! A cultura da proteção provém do bom trato, da educação, da ternura e sensibilidade, da humanidade e do respeito. Para sermos promotores da defesa e cuidado de menores e vulneráveis precisamos descobrir o valor de quem cuida e se autocuida.

Quando um delito sexual é denunciado, devemos descobrir até onde o processo é consolidado; assim como as verdades que há neste processo. Por trás de todos os delitos sexuais e abusos não só se encontra uma pessoa doente e sim uma sociedade enfermizada.

A tolerância zero é sustentada por aquilo que o povo deve saber: “na vida sacerdotal e consagrada não há lugar para pessoas que possam cometer crimes contra menores e vulneráveis”. Uma pessoa que agride um menor ou um vulnerável não tem como ser admitido no processo formativo rumo ao ministério sacerdotal.

As famílias devem saber que a Igreja é uma casa segura e lembrar que por cima do escândalo está a decisão de defender e tutelar menores e vulneráveis. Numa igreja sinodal há um caminho longo a ser percorrido; temos que assumir uma postura dialogal sobre o tema, fomentar as comissões diocesanas de defesa aos menores bem como promover políticas de defesa e prevenção.

A formação sobre a prevenção nos seminários e institutos exige uma direta e frontal atitude para que aqueles que estão no caminho formativo possam crescer, amadurecer e sobretudo fortalecer a sua vida e entrega.

Padre José Rafael Solano Duran, presbítero da Arquidiocese de Londrina, participante do II Congresso Latino-Americano sobre a defesa das vítimas de abusos sexuais e da consciência de menores e vulneráveis, Assunção - Paraguai

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