ESPAÇO ABERTO: Princesa Leopoldina, a heroína esquecida
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quinta-feira, 07 de setembro de 2023
Daniel Hatti 
Quando se pensa na independência do Brasil, a imagem icônica de dom Pedro I, montado em seu cavalo e bradando "Independência ou Morte!" às margens do rio Ipiranga é o que geralmente vem à mente. No entanto, esse ato isolado não capta a complexidade e a série de eventos que levaram ao rompimento político entre Brasil e Portugal. Uma figura frequentemente subestimada e esquecida dessa narrativa é a da princesa Leopoldina, esposa de dom Pedro e a verdadeira responsável pela consumação da independência brasileira.
Nascida em 22 de janeiro de 1797 em Viena, Áustria, Maria Leopoldina era arquiduquesa da Áustria, filha do imperador Francisco I da Áustria e de sua segunda esposa, Maria Teresa da Sicília. Em 1817, ela se casou por procuração com dom Pedro de Alcântara, príncipe real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Ela chegou ao Brasil no final daquele ano, tornando-se princesa consorte do Brasil. Ao chegar aqui em 1817, a princesa deparou-se com um ambiente estranho e desafiador, mas não tardou a se adaptar e se dedicar à sua nova pátria.
Leopoldina era uma mulher de vasta educação, com conhecimentos em ciências, botânica, mineralogia, zoologia, artes e política. Em 1822, quando dom Pedro partiu para São Paulo, deixou-a como regente do Reino do Brasil, sinal de grande confiança em suas capacidades. Durante sua ausência, ela participou ativamente da governança e tomou decisões importantes para a independência do Brasil.
Em 1822, o cenário político estava tenso e as ordens vindas de Lisboa pressionavam dom Pedro a retornar a Portugal abandonando os anseios brasileiros pela independência. Enquanto dom Pedro estava em viagem, Leopoldina, aconselhada por José Bonifácio, um dos grandes articuladores da independência, usou de sua autoridade como regente para convocar uma reunião extraordinária do Conselho de Estado. O resultado foi a decisão de romper os laços com Portugal e, no dia 2 de setembro, a Princesa Leopoldina assinou o decreto declarando a independência do Brasil.
A assinatura do decreto por Leopoldina, com o apoio de ministros e conselheiros, foi fundamental para o processo de independência, mas é frequentemente ofuscada pelo dramático “Grito do Ipiranga”.
Leopoldina e José Bonifácio redigiram uma carta a dom Pedro, instando-o a validar o decreto que declarava a independência e, assim, garantir a integridade do território brasileiro. Esta foi a carta que Dom Pedro recebeu às margens do rio Ipiranga em 7 de setembro de 1822, o que levou ao famoso "Grito do Ipiranga", oficializando a independência do Brasil.
A Princesa Leopoldina morreu jovem, aos 29 anos, mas sua contribuição ao Brasil foi imensa. Seu papel como articuladora política e sua decisão como regente foram fundamentais para a independência brasileira. No entanto, ela tem sido muitas vezes relegada a uma nota de rodapé na história, enquanto seu marido e outros homens recebem a maior parte do crédito pelo feito.
A vida de Leopoldina foi tragicamente curta. Ela faleceu em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos. Acredita-se que sua morte tenha sido consequência das complicações de um aborto espontâneo, exacerbado pelo ambiente tumultuado em que vivia devido às infidelidades e ao temperamento explosivo de Dom Pedro.
O heroísmo não se mede apenas por atos grandiosos e visíveis, mas também por decisões corajosas tomadas nos bastidores. A princesa Leopoldina foi uma dessas heroínas esquecidas, cuja sagacidade e coragem merecem ser lembradas e celebradas. Ela foi, sem dúvida, uma peça fundamental no intrincado quebra-cabeça que levou à formação da nação brasileira.
Daniel Hatti, professor
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