ESPAÇO ABERTO: Polarização nivelada por baixo
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sexta-feira, 14 de julho de 2023
Ludinei Picelli 
Ouço gente dizendo: "preferi votar no louco do que no ladrão". Por outro lado, também ouço os principais protagonistas desse embate proferirem suas "pérolas" estapafúrdias. O da esquerda afirma: "o conceito de democracia é relativo", enquanto o da direita declara: "o conceito de fake news é relativo". São dois doidivanas da política que caminham para o ápice do ridículo nos seus discursos, visando dar continuidade às suas deploráveis intenções de propagarem a mentira, a desinformação e ameaças veladas.
Difícil entender como o nosso povo chegou a esse ponto de aceitação desses indecorosos, que de uma forma ou de outra já nos trouxeram prejuízos irrecuperáveis, perdas irreparáveis e muitos outros importantes dissabores. O debate político em torno deles aguçou um fanatismo delirante, motivando inexplicáveis rompimentos de amizades, incompreensíveis desuniões familiares e até inconcebíveis mortes entre antagonistas.
Ainda que ambos fossem proeminências no mundo político, detivessem conceitos morais inabaláveis e representassem o suprassumo da diplomacia internacional, nada justificaria esse acirramento tresloucado que estamos assistindo. Aliás, se os adversários em questão fossem dotados de tais predicados, a disputa entre eles seria num patamar mais elevado, rico em conhecimentos e num debate civilizado, à altura dos grandes estadistas mundiais.
Assim sendo, a recente decisão de tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível oferece-nos a oportunidade de nos desvencilharmos dessa tóxica polarização nos extremos ideológicos. Podada a ponta do radicalismo da direita, é preciso combater as atitudes extremistas que vez por outra a esquerda, ora assentada no poder, manifesta o propósito de incrementá-las.
De certo modo, Lula tenta passar uma imagem de que o seu governo é supra partidário, por exemplo, não dando guarida nem autoridade aos radicais do seu partido e até, acreditem, condenando as invasões de terras pelo MST. De outra forma, o seu envolvimento com ditaduras esquerdistas é recorrente e causa grande inquietação aos brasileiros.
A recente participação do presidente Lula no Foro de São Paulo desgastou ainda mais a sua imagem e a já decadente reputação perante as grandes potências mundiais, justamente pela sua aproximação dos déspotas que dominam essa entidade de partidos de esquerda da América Latina. A insistência em defender o regime do ditador Maduro e afirmar que a Venezuela é uma democracia plena, porque tem mais eleições que no Brasil, beira a insanidade mental.
Essa ambiguidade no comportamento do nosso mandatário mor sugere muita impostura e enorme desconfiança. Portanto, essa outra ponta da polarização também precisa ser eliminada. A população está saturada de tantas iniquidades, de governantes desonestos e inconsequentes, das patifarias da grande maioria dos políticos, de uma Justiça pálida, de ameaças ao estado democrático e desse confronto do radicalismo ideológico odioso; improbidades e insatisfações tais, que nos afetam cotidianamente.
Suprimidos esses extremismos, se faz mister chegar em 2026 com candidatos ideologicamente mais centristas (não confundir com o infamado Centrão), comprometidos com a manutenção da ordem democrática e reconhecidamente probos.
Ludinei Picelli (administrador de empresas) Londrina
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