ESPAÇO ABERTO: Pablo Marçal já é o grande vencedor desta eleição
Comparando-o a um produto, nem todos querem comprá-lo, mas todos os consumidores já sabem que ele está no mercado
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sábado, 05 de outubro de 2024
Comparando-o a um produto, nem todos querem comprá-lo, mas todos os consumidores já sabem que ele está no mercado
Edinelson Alves 
Gostando ou não gostando dele, o único fator novo nessa eleição foi o surgimento de Pablo Marçal. A eleição municipal é, por tradição, uma disputa na paróquia entre velhos e conhecidos adversários políticos. Os eleitores sabem quem é quem, e por isso os caciques estaduais e nacionais nem sempre conseguem influenciar na definição do voto - aliás, as vezem esses tais políticos de fora acabam sofrendo grandes invertidas.
A atuação inovadora (provocativa, polêmica, utilizando recursos psicológicos para desestabilizar adversários, mas sempre utilizando métricas de avaliação da reação do público a seu favor) de Pablo Marçal bagunçou e nacionalizou a disputa municipal em São Paulo. O grande embate esperado na capital paulista era entre o prefeito Ricardo Nunes e o deputado federal Guilherme Boulos, mas eis que entra arrobando a porta para sacudir essa disputa o ex-coach Pablo Marçal.
Sem dinheiro público e sem tempo de TV, ele poderia simplesmente desaparecer, como aconteceu com o candidato Enéas Carneiro (um médico culto que fundou o Prona, foi candidato sem sucesso à presidência, mas depois foi eleito deputado federal por São Paulo com a votação recorde de 1,57 milhão de votos), mas ele engendrou, calculadamente, tudo de forma diferente.
O ex-coach fez da sua fraqueza (sem dinheiro e sem tempo de tv) a sua força. E assim, mesmo sendo um candidato declarado de direita, mesmo sem o apoio de Bolsonaro (que declarou apoio ao prefeito Ricardo Nunes), mesmo sendo impiedosamente atingido por críticos religiosos e outros bolsonaristas, Pablo Marçal saiu do isolamento de um partido nanico e se tornou o grande protagonista da eleição da maior cidade do Brasil que terá um orçamento, em 2025, de aproximadamente 120 bilhões de reais.
Independente de qual for o resultado da eleição deste domingo em São Paulo, aliás, disputadíssima entre Pablo Marçal, Ricardo Nunes (candidato de Bolsonaro) e Guilherme Boulos (candidato de Lula), o ex-coach já pode ser considerado o grande vencedor.
Para um empresário que se diz milionário com negócios de mídia (e tantos outros empreendimentos), a entrada de Pablo Marçal na disputa em São Paulo fez dele um personagem conhecido em todo Brasil. Ou seja, comparando-o a um produto, nem todos querem comprá-lo, mas todos os consumidores já sabem que ele está no mercado. Para quem vive de explorar ferramentas de mídia e comunicação, isto é a glória.
E um outro detalhe muito importante: se há décadas Lula, desde o sindicalismo até as passagens pela presidência (mesmo com condenações nas três instâncias e até prisão por corrupção) se mantém o grande líder da esquerda brasileira, o mesmo já não se pode dizer da influência de Bolsonaro. Isto porque mesmo sem o apoio do ex-presidente de direita, Pablo Marçal invadiu a seara dele e causou fortes intrigas e divisões entre apoiadores e lideranças bolsonaristas.
Considerando que a cidade de São Paulo, com seus quase 9 milhões de eleitores, é uma enorme vitrine para a disputa presidencial de 2026, tanto o presidente Lula como Bolsonaro estão de olho nas ferramentas utilizadas por Pablo Marçal. Com sua poderosa ação nas redes sociais, com milhões de seguidores, o ex-coach tem dado um banho de comunicação e de estratégia de marketing na concorrência.
As questões que ficam são as seguintes: se Pablo Marçal vencer, ele será um bom gestor público? A prefeitura de São Paulo (caso ocorra um fracasso em seu mandato) poderá sepultar os projetos dele na vida pública? As respostas, temos que aguardar. O que é absolutamente certo, por enquanto, é que o capitão Bolsonaro viu nascer, obviamente contra a sua vontade, um novo “mito” que poderá sacudir a direita brasileira, e influenciar muito na próxima eleição presidencial.
Edinelson Alves, jornalista
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