Despertar os segmentos políticos, empresariais, científicos, tecnológicos e populares para a necessidade de uma ação conjunta e planejada, visando um desenvolvimento efetivo, integrado e com bem-estar social para nossa região foi o objetivo da primeira etapa do Projeto Rumos do Norte. O Encontro do Norte do Paraná, realizado no dia 10 de junho, na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, foi apenas o início desse movimento.

Independente dos resultados das primeiras discussões, já podemos comemorar o êxito da iniciativa encabeçada pela Universidade Estadual de Londrina, Instituto Agronômico do Paraná, Associações de Prefeitos (Amepar, Amunop e Amuvi) e de vereadores (A vempar), pela Associação Comercial e Industrial de Londrina, Sociedade Rural do Paraná, Valcoop, clubes de serviço, entidades populares e demais órgãos de Ciência e Tecnologia, coordenados pela Câmara de Londrina, com patrocínio do Banco Bamerindus.

Em 8 reuniões preparatórias, que mobilizaram mais de 200 lideranças regionais de todos os segmentos envolvidos, ficou evidente a angústia de todos com as incertezas do futuro - consequências não apenas da conjuntura nacional, que nos envolve, mas também do ambiente de dispersão que desagrega as forças organizadas do Norte do Paraná, responsáveis maiores pelos destinos da região.

Há uma certa convicção de que estamos desperdiçando oportunidades, de que aproveitamos mal nosso imenso potencial produtivo e de mercado, nossos recursos tecnológicos e nossa representação política. O divórcio entre esses segmentos, o ambiente de suspeita e desagregação entre eles, o individualismo das ações, são também responsáveis pelo caráter de improvisação e algo subalterno que tem marcado o nosso desenvolvimento regional.

Já é uma conquista do Projeto "Rumos do Norte" ter propiciado a reunião dos segmentos políticos, empresariais, tecnológicos e populares, para discutir todas as questões, especialmente as divergências, relativas ao futuro do Norte do Paraná. Mas este princípio de união de forças, que adquiriu um sentido de celebração no encontro de junho, precisa continuar a se aprofundar. Obviamente as reuniões preparatórias e o encontro não foram suficientes para definir as estratégias de desenvolvimento regional para esta década. Tais definições exigem procedimentos técnicos muito mais apurados. Mas algumas "pistas" importantes dessa "vontade regional" que começa a se formar vão aparecer. E é crucial que elas não se percam, que não fiquem esquecidas em alguma gaveta.

O instrumento capaz de dar consequência a essa "vontade", organizando o processo de decisão política e viabilizando soluções técnicas para tais decisões, poderá ser a Fundação Rumos do Norte, cuja forma jurídica já está sendo estudada. Seja qual for o nome ou a definição, já parece claro que o desenvolvimento regional exige uma estrutura permanente, que viabilize a integração dos nossos recursos científicos e tecnológicos.

Nesta década, teremos que reencontrar o nosso rumo, o nosso norte, o norte do Norte, os Rumos do Norte do Paraná.

Texto de Tadeu Felismino, Coordenador do Projeto Rumos do Norte, então presidente da Câmara Municipal de Londrina, na página inicial da Revista Rumos do Norte, publicada em agosto de 1990. Felismino morreu quinta-feira (13), aos 68 anos. O artigo acima foi selecionado e enviado à FOLHA por Paulo Sendin, engenheiro agrônomo, membro da Governança AgroValley de Londrina.

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