ESPAÇO ABERTO Os desafios da OMS, dos governos e da sociedade civil
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de abril de 2019
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Em 2019, a OMS (Organização Mundial de Saúde) quer que 1 bilhão a mais de pessoas no mundo todo tenha acesso aos serviços de cobertura de saúde. A meta é ambiciosa, mas é o que pretende o órgão para celebrar o Dia Mundial da Saúde, lembrado em 7 de abril. Para que isso se concretize, a organização estipulou dez objetivos bastantes ousados. É possível alcanç-los? Sim! Mas depende do esforço conjunto entre governos e sociedade civil organizada.
O Dia Mundial da Saúde foi criado para que as pessoas se conscientizem sobre a importância da prevenção e preservação da saúde, visando a uma melhor qualidade de vida. Cada ano há uma temática diferente. Em 2019 é: “Saúde Universal: para todas e todos, em todos os lugares”. Daí a necessidade de ampliar o acesso aos serviços de saúde, onde quer que as pessoas estejam. Desde os centros mais modernos e tecnológicos até os rincões mais distantes e afastados.
Muitas pessoas se acham saudáveis simplesmente por não apresentarem doença alguma. Entretanto, esse é um conceito errado e distorcido, uma vez que ter saúde é mais que isso e vai além dessa definição simplória. Ser saudável não é apenas não apresentar enfermidades, mas estar num estado de total bem-estar físico, mental e social. Complexo, não? Justamente por isso é que consideramos a plena saúde nem tão fácil de se alcançar. Pois hoje em dia dificilmente as pessoas vivem sem tristeza, sem preocupações ou relacionando-se bem com todos à sua volta ao mesmo tempo. Por isso, ter saúde é ter pleno bem-estar conforme a qualidade de vida que se leva.
Mesmo assim, o significado de qualidade de vida varia de uma pessoa a outra. Para alguns, representa ter saúde, enquanto para outros significa ter um determinado estilo de vida. O bem-estar é diverso porque cada um se sente assim com diferentes aspectos, seja no trabalho, na família, entre amigos ou outras circunstâncias do cotidiano. Tem gente que se satisfaz com uma corrida ao ar livre, ao passo que outros se sentem plenos tomando um vinho e apreciando boa gastronomia entre amigos. O mais importante é que tudo esteja em equilíbrio e harmonia, além de termos a percepção de que nossas necessidades estão sendo satisfeitas.
Para isso é fundamental que, além de cuidarmos da saúde, possamos lutar por nossos direitos, a fim de que haja constante melhoria dos serviços de saúde, da realidade da educação, dos momentos de lazer, entre outras áreas. É por aí que passam os ousados objetivos propostos pela OMS para que, dentro de um ano, consigamos atingir a melhoria da vida de mais pessoas: mais precisamente, de 1 bilhão de seres humanos ao redor do mundo.
Obviamente, os esforços devem ser múltiplos nessas dez metas. Por exemplo, para diminuir a (1) poluição do ar e reverter as mudanças climáticas. Este é o primeiro objetivo da OMS, para quem nove em cada dez pessoas respiram ar poluído dos os dias. A organização também chama a atenção para (2) doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, câncer, cardiovasculares), responsáveis por 70% de todas as mortes no mundo! Assim como é preciso se atentar para uma nova (3) pandemia de gripe.
De acordo com a OMS, governos devem melhorar os (4) cenários de fragilidade e vulnerabilidade, onde 22% da população mundial (1,6 bilhão de pessoas) vivem em locais com seca, fome, conflitos, sem acesso à saúde. Também é preciso reverter a (5) resistência antimicrobiana, que está acabando com a eficácia de muitos remédios. O (6) ebola também é um problema, que se espalha a partir do Congo, na África.
A OMS recomenda melhorar a (7) atenção primária à saúde, primeiro contato de muitas pessoas com os serviços de saúde, combater a (8) relutância em se vacinar (1,5 milhão de mortes ainda podem ser evitadas) e redobrar os esforços contra a (9) dengue e (10) o HIV. Enfim, não é um trabalho fácil. Por isso, vamos juntos arregaçar as mangas e seguir em frente!
PAULA FRANÇA, médica especialista em saúde da família (Londrina)


