O conceito de desenvolvimento sustentável é posto pelo equilíbrio de fatores ambientais, econômicos e sociais.
Em Londrina, desequilíbrio é uma constante. Economicamente, o desenvolvimento a partir de expansões urbanas em direção ao rural se desenrola de forma irregular e especulativa.
Nos anos 70, o avanço urbano para a zona norte de Londrina loteou as lavouras dos agricultores do Heimtal para a construção de casas populares. Os lotes situados entre os conjuntos e a periferia da cidade tiveram altíssima valorização após a implantação de infraestrutura de transporte, água, luz, impulsionando uma forte especulação imobiliária.
A lógica de "vazios urbanos" ou "reservas de valor" torna-se altamente lucrativa quando do seu preenchimento por promotores imobiliários.
Sendo polo prestador de serviço, Londrina não se descuidou, ao menos por completo, da industrialização. O primeiro parque industrial, o das Indústrias Leves, nasceu entre 1969/1970. Não há como negar, portanto, o poder motivador do lucro gerado pelo mercado imobiliário, pela construção civil e prestação de serviços. O mesmo em relação à industrialização, restando somente a verificação da eficiência e a responsabilidade social dos setores.
Socialmente, a geração de emprego é quase sempre o único fator citado nesse modelo de desenvolvimento, que desconsidera que moradores/trabalhadores ou são cada vez mais deslocados para a ponta da zona de expansão urbana sobre áreas antes rurais (como o Residencial Vista Bela, ao norte, e mais recente os novos conjuntos da zona sul), sem infraestrutura necessária; ou se, com algum poder aquisitivo, compram lotes contíguos aos parques industriais, com conflitos de difícil solução. Acresce-se, ainda, os assentamentos, as favelas e as ocupações dispersas por praticamente toda a cidade.
Ambientalmente, tal pacote de desenvolvimento só acarretou problemas ambientais em escala importante.
Em escritos recentes, o professor Amarildo Souza de Paula, do departamento de Agronomia da UEL, destaca "a poluição dos principais cursos d’água; intensos processos erosivos e de assoreamento (decorrentes de loteamentos que não respeitam a legislação ambiental); inundações associadas a soluções inadequadas ou inexistente de drenagem, problemas de poluição do ar".
O nosso lixo urbano, por exemplo, é outro quesito grave para Londrina. Gerado pelo crescimento econômico e populacional urbanos, invade, cada vez mais, o meio rural para ser destinado em gigantescas valas preparadas pelas técnicas de engenharia.
Ainda, segundo os autores, o tecido urbano fragmentado, socialmente segregado e ambientalmente degradado em Londrina, é resultante de diretrizes definidas pelos interesses imobiliários e que, para um maior equilíbrio entre as diferentes forças e interesses políticos e sociais, é necessária uma gestão pública transparente e permeável a ação de diferentes grupos de interesses, ao invés de privilegiar a participação dos segmentos economicamente interessados na expansão urbana.
Precisamos reequilibrar o tripé. A audiência pública do dia 27 de maio, na qual vamos discutir a expansão urbana sobre a zona rural, nos arredores do complexo de florestas que compõem a região da Mata dos Godoy, será um momento de reflexão, coerência, lucidez, sem radicalismos.
O futuro de Londrina está em nossas mãos.

PAULO ROBERTO GUTIERREZ é doutor em Políticas Públicas e colaborador da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE)

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Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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